Carlo Ancelotti encontra equipe durante o Mundial e agora a testa em jogo eliminatório, contra o sólido Japão
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28.jun.2026 às 23h00
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Marcos Guedes Luciano Trindade
Carlo Ancelotti sabia que teria de acertar a seleção brasileira durante a Copa do Mundo. Com pouco mais de um ano à frente da equipe, em um ciclo caótico no qual sucedeu três treinadores de resultados ruins, chegou aos Estados Unidos ainda tateando o grupo em busca da formação mais apropriada.
Houston, segunda-feira (29), às 14h
Ele, enfim, parece tê-la encontrado. Ao que tudo indica, repetirá contra o Japão a escalação adotada na vitória por 3 a 0 sobre a Escócia, na última quarta-feira (24), que valeu a liderança do Grupo C. E o primeiro grande teste do time será em um jogo de consequência, eliminatório. Quem vencer avançará às oitavas de final, contra Noruega ou Costa do Marfim. Quem perder ficará no caminho.
"Não é nem um mata-mata. É um mata, não tem partida de volta. Nós nos preparamos para uma final porque é uma final", afirmou o italiano, que gostou da evolução apresentada após uma estreia ruim. No empate por 1 a 1 com Marrocos, não funcionaram as suas apostas em um zagueiro improvisado na lateral direita, Ibañez, e em um centroavante típico, Igor Thiago.
Ancelotti, então, colocou Danilo na lateral e promoveu ao time titular o versátil Matheus Cunha, uma espécie de híbrido entre meia e atacante. Deu certo, e o jogador marcou três gols: dois na vitória por 3 a 0 sobre o Haiti e outro na partida que fechou a participação do Brasil na primeira fase.
O ajuste final não foi uma escolha. O atacante Raphinha se machucou no segundo compromisso da equipe no torneio, e o treinador jogou suas fichas no jovem Rayan. O treinador ainda aguarda o retorno do jogador do Barcelona –a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) tem sido misteriosa sobre suas reais condições–, mas o garoto de 19 anos entrou muito bem.
Enfim, ainda que a qualidade dos oponentes seja questionável, o Brasil se encaixou.
"O Cunha ajuda muito atuando como falso 9. A defesa adversária fica sempre na dúvida sobre quem marcar. Talento sem movimento não é nada. Estamos nos movimentando bem, criando espaços e encontrando soluções", afirmou o volante Bruno Guimarães, que tem se destacado na construção das jogadas, com três assistências.
Todo o sistema é pensado para dar vazão às melhores qualidades de Vinicius Junior, veloz e habilidoso. Livre de maiores responsabilidades defensivas, o atacante marcou quatro gols –além de um cuja anulação foi contestada em ofício enviado pela CBF à Fifa (Federação Internacional de Futebol)– e participou de seis dos sete marcados pela formação verde-amarela.
"Ele está em uma condição muito boa. A equipe lhe permite descansar. Não trabalha muito sem a bola e está mais fresco quando a temos. O fato de alternar de posição tem ajudado. Ele não fica só aberto, tem jogado por dentro, o que é uma vantagem. Quando recebe a bola por fora, tem que fazer seis ou sete movimentos para chegar ao gol. Por dentro, basta um movimento", disse Ancelotti.
"É satisfatório. Eu não tinha dúvida sobre como ele chegaria a esta Copa do Mundo. Para ele, é uma honra jogar pela seleção. Está fazendo tudo muito bem e chegou a marcar um gol de cabeça, que é bastante raro. Não sou eu que vou descobrir o Vini. O Vini é top, um dos melhores do mundo, obviamente", acrescentou o comandante.
Na engrenagem que encontrou, o italiano deu o braço a torcer e passou a utilizar mais um homem com características de meio-campista. Paquetá defende pelo lado esquerdo, fechando uma segunda linha de quatro marcadores, porém com a bola tem liberdade para circular pelo meio e participar das trocas de passes.
"Com três no meio, temos mais equilíbrio. Estava faltando um jogador ali. O mister foi inteligente ao fazer essa mudança", disse Danilo, um dos atletas em que o treinador confia para discussões táticas. O grupo pediu, e o sistema foi adaptado. Agora, vem um teste considerado mais complicado.
O Japão perdeu apenas uma de suas últimas 16 partidas. Nessa sequência, venceu o próprio Brasil, um triunfo de virada por 3 a 2 em amistoso realizado em outubro, em Tóquio, e fez 1 a 0 na Inglaterra no tradicional estádio de Wembley, em Londres. Na Copa, empatou com Holanda e Suécia, goleou a Tunísia e avançou com a segunda colocação do Grupo E.




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