Brasil leva à Europa experiências para devolver animais a locais onde desapareceram Isabela Mascarenhas Projetos brasileiros de reintrodução de espécies e restauração da fauna foram apresentados na quarta Conferência Internacional de Conservação e Translocaçã…
Brasil leva à Europa experiências para devolver animais a locais onde desapareceram — Foto: Isabela Mascarenhas
Projetos brasileiros de reintrodução de espécies e restauração da fauna foram apresentados na quarta Conferência Internacional de Conservação e Translocação, realizada no início de setembro, em Edimburgo, no Reino Unido. A bióloga Vanessa Kanaan, representante do Instituto Fauna Brasil (IFB), participou do encontro, que reuniu profissionais, gestores e pesquisadores para discutir os avanços e os desafios das translocações voltadas à conservação.
📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram
Além dos resultados dos projetos, a conferência abordou temas como bem-estar animal, riscos, monitoramento, tomada de decisão e manejo adaptativo.
"Primeiro, é importante explicar o que são translocações para conservação. De maneira simples, são ações em que organismos, como animais, plantas e fungos, são movimentados de um local para outro com o objetivo principal de gerar um benefício para a conservação. Elas podem ter diferentes objetivos, como reintroduzir uma espécie em uma área onde foi extinta localmente ou reforçar uma população que ainda existe, mas está reduzida ou vulnerável", explica Vanessa Kanaan.
Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1:
COMPORTAMENTO: Caso de homem atacado por morcego-vampiro é descrito pela ciênciaCARA A CARA COM O LOBO: Morador se surpreende com aparição de lobo-guará durante treino'EUFORIA': Vespa-cavalo-do-cão é flagrada predando maior aranha do mundo
Bugio, papagaio e outros animais ajudaram
Com sede em Santa Catarina, o Instituto Fauna Brasil desenvolve projetos desse tipo. O trabalho com o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) começou em 2010 com o objetivo de reintroduzir a espécie em uma região onde havia sido extinta localmente. A reintrodução está prevista no Plano de Manejo do Parque Nacional das Araucárias.
O instituto também trabalha com a reintrodução do bugio-ruivo (Alouatta guariba) na Ilha de Santa Catarina, onde fica Florianópolis, capital do estado. A espécie estava extinta localmente há mais de 260 anos.
Mais recentemente, o IFB começou a estudar a viabilidade de translocações de pequenos felinos silvestres dentro de uma estratégia mais ampla de rewilding, ou renaturalização e restauração ecológica da ilha.
O intercâmbio proporcionado pela conferência é importante porque as translocações para conservação são processos complexos e de longo prazo. A troca de experiências permite analisar tanto os resultados positivos quanto os aspectos que precisam ser ajustados nos projetos.
Planejamento e condução
Brasil leva à Europa experiências para devolver animais a locais onde desapareceram — Foto: Isabela Mascarenhas
Na conferência deste ano, Vanessa Kanaan apresentou três trabalhos: dois pôsteres e uma apresentação oral. Apesar de abordarem experiências diferentes, os estudos têm em comum a discussão sobre a forma como as translocações para conservação são planejadas e conduzidas.
O primeiro pôster apresentou os 16 anos do projeto de reintrodução do papagaio-de-peito-roxo em uma região onde a espécie estava localmente extinta.
O segundo reuniu três iniciativas de reintrodução no Brasil e mostrou como a experiência acumulada em diferentes projetos pode contribuir para novas decisões.
Ilha de Santa Catarina
Já a apresentação oral abordou o processo desenvolvido na Ilha de Santa Catarina, da defaunação à refaunação. O trabalho utilizou a reintrodução do bugio-ruivo e os estudos de viabilidade para a reintrodução de pequenos felinos para mostrar como uma translocação pode produzir evidências que auxiliem no planejamento da próxima.
Brasil leva à Europa experiências para devolver animais a locais onde desapareceram — Foto: Isabela Mascarenhas



0 Comentário(s)
Deixe seu comentário