O Brasil está entre os países que mais investem na qualificação e requalificação da força de trabalho para a inteligência artificial (IA), mas utiliza a tecnologia menos que a média global. É o que mostra o estudo Human Capital Trends 2026, da consultoria Aon…
O Brasil está entre os países que mais investem na qualificação e requalificação da força de trabalho para a inteligência artificial (IA), mas utiliza a tecnologia menos que a média global. É o que mostra o estudo Human Capital Trends 2026, da consultoria Aon, realizado entre 2025 e 2026, com 2.361 participantes pelo mundo, entre membros de conselho, líderes empresariais e executivos de gestão de pessoas.
No país, 54% das organizações capacitaram até um quinto dos colaboradores em IA nos últimos 12 meses, ante 51% na América Latina e 47% na média global. O Brasil também registra o menor percentual de empresas que não treinaram nenhum funcionário no tema, com 9%, contra 16% nos dois recortes.
“O que os dados mostram é que as organizações brasileiras vêm se destacando pelo nível de engajamento na preparação da força de trabalho para a inteligência artificial”, afirma Fabio Martinez, head of health & talent da Aon no Brasil. Na visão do executivo, a IA deixou de ser percebida como um tema abstrato e passou a ter impacto direto no dia a dia do trabalhador.
No Brasil, 96% das organizações acreditam que a tecnologia criará novas oportunidades e exigirá novas habilidades, acima da média global de 88%. Adaptabilidade e gestão da mudança aparecem como as competências mais importantes para o sucesso organizacional nos próximos três anos, percepção idêntica nos recortes global, regional e brasileiro.
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O movimento de capacitação, no entanto, ainda não se traduz em adoção em larga escala. Apenas 35% das organizações brasileiras já implementaram IA, ante 44% no mundo. Outras 31% estão em fase de pré-implementação e 22%, em projetos-piloto.
De acordo com Martinez, não há contradição nas informações levantadas. “Os dados sugerem que o Brasil e a América Latina estão priorizando a construção de capacidades antes da escala da IA”, diz. Na sua percepção, o país está construindo bases para acelerar a implementação com consistência nos próximos anos.
No entanto, a disputa por profissionais qualificados aparece como outro entrave. Apenas 32% das empresas brasileiras acreditam conseguir atrair e reter talentos com competências em IA, índice superior aos 24% globais. Para o head da Aon, a vantagem competitiva passa cada vez mais pelo desenvolvimento interno desses profissionais, estratégia que já vem sendo adotada pela maioria das companhias em território nacional.
O estudo levanta ainda outros pontos de atenção. O Brasil tem o menor índice de maturidade de dados em RH entre as geografias analisadas, somando 31%, ante 36% na América Latina e 38% no recorte global. “A maturidade de dados não é apenas uma questão tecnológica, ela depende da capacidade de transformar informação em ações que gerem valor para as pessoas e para o negócio”, defende o especialista.
Outro gargalo apontado pela pesquisa é a comunicação interna. A sobrecarga de informações e as prioridades conflitantes foram identificadas como a principal barreira de comunicação nos recortes global, LatAm e Brasil. Martinez diz que o ponto de partida para enfrentar o problema não é comunicar menos, mas comunicar melhor. Ele também aconselha a segmentação das mensagens para diferentes públicos.
O executivo defende o uso de tecnologia para mapear quais informações são prioritárias para cada grupo de profissionais, reduzir redundâncias e escolher os canais mais adequados para cada mensagem. "Quando a comunicação é mais direcionada, contextualizada e relevante, ela deixa de competir pela atenção das pessoas e passa a apoiar decisões e comportamentos", desenvolve.
Nos dados sobre benefícios corporativos aparecem lacunas entre expectativa e oferta. No Brasil, 75% dos profissionais consideram importante ou extremamente importante contar com benefícios personalizados, mas apenas 12% das empresas oferecem esse tipo de flexibilidade.
O descompasso também se mostra dentro de cada categoria de benefício, na diferença entre o que as empresas julgam que deveriam apoiar e o que os funcionários afirmam efetivamente receber. No Brasil, 93% dos empregadores consideram que deveriam apoiar a educação financeira do trabalhador, mas só 11% dos profissionais dizem ter acesso a esse benefício. Em saúde da mulher, a diferença se repete; 83% das empresas entendem que deveriam oferecer esse apoio, enquanto apenas 8% das profissionais afirmam recebê-lo.


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