O Brasil tem uma das maiores reservas de minerais estratégicos do mundo, mas ainda está longe de transformar essa riqueza em produção, tecnologia e indústria. O Congresso aprovou nesta semana a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que

O Brasil tem uma das maiores reservas de minerais estratégicos do mundo, mas ainda está longe de transformar essa riqueza em produção, tecnologia e indústria. O Congresso aprovou nesta semana a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que cria incentivos para ampliar a pesquisa, a extração, o processamento e a transformação desses recursos no país.

O desafio aparece de forma clara nas terras raras. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses elementos, mas produz uma fração do volume extraído pela China, líder global do setor. Um estudo da Amcham Brasil estima que o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos pode adicionar até R$ 192,1 bilhões ao PIB brasileiro e gerar 750 mil empregos até 2050, dependendo da capacidade do país de processar os recursos e utilizá-los na indústria nacional.

Projeto que cria política para minerais críticos segue para sanção presidencial. Aprovado pelo Senado na quarta-feira (2), o PL (Projeto de Lei) 2.780/2024 cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e um conselho ligado à Presidência da República para tratar da industrialização desses recursos. O texto busca estimular etapas como pesquisa, lavra, beneficiamento e transformação dos minerais e prevê até R$ 7 bilhões em incentivos governamentais.

Minerais críticos não são sinônimo de terras raras. A categoria inclui diferentes recursos considerados essenciais para setores estratégicos e cuja oferta pode enfrentar riscos, como lítio, níquel, cobre, grafita e as próprias terras raras. Esses insumos são utilizados em cadeias como baterias, veículos elétricos, geração de energia, equipamentos eletrônicos e indústria de defesa.

Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras raras. Segundo o USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos), o país possui cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China, com 44 milhões. As reservas brasileiras colocam o país em posição estratégica em meio à disputa global pelo acesso a matérias-primas utilizadas em tecnologias de ponta.

O abismo aparece quando se compara o tamanho das reservas com a produção. Em 2025, o Brasil produziu cerca de 2.000 toneladas de terras raras, enquanto a China extraiu aproximadamente 270 mil toneladas. Isso significa que o país concentra quase metade do volume das reservas chinesas, mas ainda tem participação pequena na produção mundial.

Agregar valor aos minerais pode fazer grande diferença para a economia. Estudo da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) compara dois caminhos para o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e terras raras. Em um cenário no qual a produção permanece predominantemente voltada à exportação e com menor agregação de valor no país, o impacto acumulado estimado sobre o PIB até 2050 é de R$ 128,7 bilhões, com geração de 304 mil empregos.

Processamento no Brasil pode elevar o impacto para R$ 192,1 bilhões. No cenário mais favorável, a projeção considera maior entrada de investimentos, expansão do processamento dos minerais dentro do país e utilização desses insumos pela indústria brasileira. Nesse caso, o impacto acumulado sobre o PIB chegaria a R$ 192,1 bilhões, com criação de 750 mil empregos até 2050.

A diferença entre os dois cenários chega a R$ 63,4 bilhões e 446 mil empregos. Os números mostram que o potencial econômico não depende apenas da quantidade de minério disponível no subsolo, mas também da capacidade de transformá-lo dentro do país e incorporá-lo a cadeias industriais de maior valor agregado.

Quanto maior a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico.Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil

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