Britânica elimina tênia após viagem e descobre 38 parasitas no cérebro
Uma britânica diz que descobriu 38 parasitas no cérebro anos depois de eliminar uma tênia. O relato foi publicado pelo tabloide The Sun.
Lowri Denman, 42, contou que viajou por dois meses pela Índia em 2007 (onde ela acredita ter contraído o parasita) e só percebeu algo errado quatro anos depois. Ela disse que, ao ir ao banheiro, eliminou uma tênia de cerca de um metro e procurou um médico, acreditando que o problema tinha acabado.
Crises de dor de cabeça começaram em seguida e, em 2011, ela teve uma convulsão, com perda de consciência e movimentos involuntários. Após esperar três meses por um exame, Lowri recebeu o diagnóstico de neurocisticercose, uma infecção parasitária no cérebro causada por larvas da tênia do porco.
Foi simplesmente nojento pensar que essas coisas estavam na minha cabeça.Lowri Denman ao The Sun
Após o diagnóstico, médicos passaram a tratar as convulsões como epilepsia e buscaram orientação de especialistas em doenças tropicais para eliminar os parasitas. Lowri disse que perdeu a carteira de motorista e recebeu recomendações para evitar atividades sozinha em casa, como tomar banho, devido ao risco de novas crises.
Lowri contou que as convulsões continuaram enquanto a equipe médica ajustava a dose dos remédios e isso aumentou o medo de sair de casa. O receio de ter novas crises em público passou a orientar a rotina dela. "Eu fiquei muito cautelosa, com medo de estar em qualquer lugar e isso acontecer", disse ao The Sun.
Ela afirmou que recebeu esteroides e um antiparasitário e que, por um período, os sintomas diminuíram. Em 2015, porém, ela disse que houve uma piora porque os parasitas "não estavam morrendo como eles esperavam".
Os médicos então testaram outra medicação antiparasitária. Lowri disse que o inchaço no cérebro baixava com o tratamento, mas voltava em outra área quando ela reduzia os remédios.
Ela descreveu um período de pelo menos um ano de piora progressiva e ansiedade. "Isso durou pelo menos um ano, em que eu ficava cada vez mais doente, mais ansiosa", afirmou ao The Sun.
Lowri disse que precisou parar de trabalhar e voltar a morar com a família para receber cuidados. "Eu tive que largar o trabalho, tive que voltar para casa para ser cuidada. Eu não era capaz de preencher formulários sozinha", contou.
Para alguém que é extremamente independente e capaz e viveu sozinha a maior parte da vida, eu fiquei pensando: que diabos está acontecendo aqui?
Com o avanço do tratamento, ela relatou efeitos colaterais e piora do estado emocional, com paranoia e isolamento. "Eu só queria voltar a trabalhar. Eu só queria uma vida normal, e eu não me sentia confortável em ambientes sociais. Eu não queria sair de casa, na verdade."
Em setembro de 2016, ela foi internada por três meses em uma ala de neuropsiquiatria após piora da saúde mental. "Eu estava tendo ataques de pânico, eu achava que ia morrer, e isso virou paranoia, e então a psicose apareceu", relatou ao The Sun.
Lowri afirmou que não sabia se os sintomas vinham diretamente dos parasitas ou do estresse de anos de tratamento. "Virou uma coisa enorme naquele ponto; ninguém conseguia me dizer quando eu ia melhorar."
Em janeiro de 2017, ela disse que deixou o hospital e voltou a morar com o pai, ainda lidando com paranoia. "Eu não parecia eu mesma, e eu também estava muito paranoica", contou.
Hoje, Lowri afirma estar saudável e diz que as convulsões estão controladas por medicação, sem crises há dez anos. Ela planeja contar a história em um podcast em 12 episódios, com entrevistas com médicos e especialistas em doenças tropicais e neurologia.
A neurocisticercose é uma das fases mais graves da cisticercose, doença provocada por cisticercos da Taenia solium. Após a ingestão de alimentos contaminados, os ovos do verme se rompem no estômago e podem entrar na corrente sanguínea, se espalhando por diferentes regiões do corpo, como músculos, coração, olhos, pele.
A neurocisticercose ocorre quando os cisticercos se alojam no cérebro. Como o período de incubação dos cistos varia entre dias até anos, o paciente pode não apresentar sintomas por muito tempo.
Geralmente, quando as larvas estão morrendo, se inicia um processo inflamatório que pode desencadear convulsões. Também podem ocorrer danos neurológicos (paralisias ou dormências em um segmento do corpo), sinais de aumento de pressão intracraniana (dor de cabeça, vômitos e torpor) e alteração do comportamento, meningite (febre, dor de cabeça, rigidez do pescoço). Quando o cisto está alojado no tecido cerebral, ele ainda pode degenerar o tecido e bloquear o fluxo de líquido no cérebro, causando crises epiléticas, hidrocefalia e limitação dos movimentos.
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