Tropas salvadorenhas tentam resgatar quatro integrantes de força da ONU desaparecidos em emboscada nos arredores de Porto Príncipe

O envio de milhares de soldados de El Salvador ao Haiti, dias depois do desaparecimento de quatro integrantes salvadorenhos de uma força apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante uma emboscada de gangues, representa o primeiro grande teste internacional das táticas de combate a grupos criminosos do presidente Nayib Bukele.

Cerca de 2 mil soldados salvadorenhos estavam no Haiti na noite de quarta-feira (28), segundo um funcionário da área de segurança ouvido pela Reuters. Duas fontes com conhecimento do assunto disseram que, por enquanto, o contingente será limitado a 2.500 militares. No entanto, as autoridades ainda não esclareceram quem estará no comando das tropas nem quais serão as regras de engajamento, o que alimenta preocupações sobre riscos adicionais para os civis em um país com um longo histórico de intervenções estrangeiras prejudiciais.

Na quinta-feira (29), o governo salvadorenho divulgou imagens do envio das tropas ao Haiti.

Bukele apresentou o deslocamento como uma missão de resgate dos quatro técnicos de aeronaves que integravam a Força de Supressão de Gangues no Haiti, apoiada pela ONU. Eles estão desaparecidos desde que saltaram de um veículo em chamas durante a emboscada em uma área controlada por gangues nos arredores da capital, Porto Príncipe.

Autoridades haitianas e salvadorenhas afirmaram que a principal missão das tropas é resgatar os técnicos desaparecidos. No entanto, a dimensão do contingente — que alcançou em dez dias um número de soldados que a força apoiada pela ONU teve dificuldades para mobilizar ao longo de mais de um ano — levantou questionamentos sobre a possibilidade de os militares integrarem uma operação mais ampla e de longo prazo.