Brasileiro derrota Alexis Lebrun no WTT São José dos Campos

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26.jul.2026 às 19h32 Atualizado: 26.jul.2026 às 22h26

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São José dos Campos (SP)

Hugo Calderano derrotou o francês Alexis Lebrun e conquistou neste domingo (26) o título do WTT (World Table Tennis) de São José dos Campos, no terceiro ano seguido em que o mesa-tenista brasileiro ganha uma taça do circuito mundial no país. A vitória no torneio disputado no interior de SP veio por 4 games a 3.

Numa partida muito equilibrada, uma virada chegou a aparecer no horizonte após o brasileiro abrir 3 a 1 e ver Alexis empatar. Ainda que o game decisivo tenha sido apertado, ele finalizou o jogo no primeiro match point que teve e ampliou seu retrospecto contra o francês: em sete confrontos, sete vitórias de Calderano.

Ao confirmar a conquista, o mesa-tenista brasileiro se jogou no chão e celebrou muito a primeira taça do WTT em 2026. Chamou o técnico, Paco Arado, para ser saudado pela torcida, abraçou a família e até ouviu gritos de "Hugo para presidente" de um público que o reverencia como herói e o apoiou o tempo inteiro.

O triunfo diante da audiência brasileira, que lotou as arquibancadas no Vale Sul Shopping, é um alívio em um momento difícil. Um dos melhores atletas do mundo há anos, em 2026 ele perdeu posições no ranking e em torneios recentes sofreu reveses para rivais em posições inferiores e que não costumavam superá-lo.

Em entrevista coletiva após a conquista, Calderano ressaltou a dificuldade de se manter no topo e afirmou que ele mesmo "colocou o sarrafo muito alto". "Todo mundo pode achar que é uma tarefa fácil ganhar uma Copa do Mundo e uma medalha no Mundial, mas a concorrência é altíssima, tem que considerar isso."

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Cabeça-de-chave número 1 do campeonato no Brasil, Calderano era o grande favorito e venceu as suas três primeiras partidas, contra o alemão Andre Bertelsmeier, o croata Tomislav Pucar e o sul-coreano Oh Jun-sung, com muita segurança, sobretudo no jogo das quartas, em que atropelou o asiático por 3 a 0.

Já a semifinal foi outra história. Contra o japonês Yukiya Uda, Calderano reverteu cinco match points no quarto set e levou a parcial até 21 a 19, deixando o público em polvorosa. No momento em que fechou o jogo, numa virada que o próprio Calderano admitiu parecer improvável, os fãs comemoraram muito, com gritos, bandeiras brasileiras, festa e até um bebê sendo jogado para o alto nas arquibancadas.

O jogo contra o japonês durou 1h12min, algo incomum no tênis de mesa. Assim, Calderano chegou à final após uma maratona física e mental, pois, além das semis, também disputou a final de duplas mistas, junto a Bruna Takahashi. "Fisicamente, foi um torneio muito difícil, mas com a torcida eu consegui me empurrar mentalmente. A mente é mais forte do que o corpo, e o corpo faz o que a mente manda", disse o brasileiro.

O casal perdeu a decisão para o par japonês formado por Shunsuke Togami e Satsuki Odo. Se tivessem vencido, teria sido a terceira taça da dupla em menos de dois anos atuando juntos. Em 2025, ganharam o WTT Contender em Buenos Aires e, em fevereiro, o Smash de Singapura, resultado de grande relevância, já que o torneio é um dos grand slams e porque os rivais na decisão foram o atual duo número 1 do mundo.

No individual feminino, Bruna foi eliminada nas oitavas pela alemã Nina Mittelham. Em entrevista coletiva após a final das duplas, a mesa-tenista disse que "não jogou em um nível muito alto" na chave de simples. "Muito a melhorar, mas não é um torneio que vai me deixar para baixo, tenho que tirar coisas boas daqui."

Com a conquista em São José dos Campos, Calderano quebra um jejum de quase um ano de títulos da WTT no individual. O último havia sido no Brasil, em Foz do Iguaçu, em agosto de 2025, quando venceu o Star Contender —o tri no Brasil era possível porque no ano anterior ele ganhou a edição no Rio de Janeiro.

Em competições organizadas pela Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), conquistou o bronze na Copa do Mundo, da qual havia sido campeão em 2025, e ficou com o primeiro lugar do ITTF Americas Cup, do qual só participam jogadores do continente, região em que Calderano domina com muitas sobras.