A onda de calor deixa vários concelhos em alerta vermelho devido às temperaturas altas. Sabe distinguir os sinais de insolação? Quando procurar ajuda? E em ...

Nos próximos dias, Portugal enfrenta temperaturas bastante elevadas. Várias regiões estão em alerta vermelho devido ao calor extremo. A onda de calor traz uma série de recomendações de modo a que sejam evitados diversos problemas de saúde. Será que sabe o que é uma insolação e reconhecer os sinais? Como se distingue de um golpe de calor? Está a beber a água suficiente? E como proteger crianças e idosos?

O Lifestyle ao Minuto falou com o médico de clínica geral António Hipólito de Aguiar, também presidente da Delegação Portuguesa da Associação Médicos do Mundo, para perceber alguns dos conselhos que podem ser mais úteis durante estes dias.

Quando notar que alguém está com estes sinais, a primeira coisa a fazer é procurar um local fresco. Deve ser desapertada a roupa e iniciadas medidas de forma a arrefecer o corpo, como é o caso do uso de ventoinhas ou de toalhas húmidas e frescas.

“Se a pessoa estiver consciente, pode beber pequenos goles de água. Se houver alteração do estado de consciência ou convulsões, deve ligar-se de imediato para os serviços de emergência.”

Um golpe de calor é outro dos termos que se ouve muito nesta altura em que as temperaturas são elevadas. Será que é a mesma coisa do que uma insolação? O especialista revela que há algo que os distingue.Leia Também: O que vestir em dias de calor? Saiba como manter-se fresco

“Os termos são muitas vezes usados como sinónimos, mas há uma diferença. A insolação refere-se à situação provocada pela exposição direta e prolongada ao sol. Já o golpe de calor é uma condição mais abrangente e potencialmente mais grave, que ocorre quando a temperatura corporal sobe para níveis perigosos, podendo acontecer mesmo sem exposição direta ao sol, por exemplo durante uma vaga de calor ou após exercício físico intenso em ambientes muito quentes.”

Alerta ainda o especialista para o facto de o golpe de calor ser “uma emergência médica. Por essa razão, a pessoa deve ser conduzida, idealmente, a uma urgência hospitalar”. 

Em alturas de temperaturas extremas, a hidratação acaba por ser fundamental. A água é um dos elementos em que deve apostar. Mas qual é a quantidade que deve ser ingerida? “As necessidades variam de pessoa para pessoa e aumentam durante períodos de calor intenso. Como regra geral, um adulto deve beber cerca de 1,5 a 2 litros de água por dia, mas durante uma onda de calor essa quantidade pode ser superior, sobretudo se houver atividade física ou muita transpiração”, revela António Hipólito de Aguiar.

Contudo, o médico deixa ainda um conselho que considera ser fundamental. “O mais importante é não esperar pela sede para beber e manter uma hidratação regular ao longo do dia. Pessoas com doenças cardíacas ou renais devem seguir as recomendações do seu médico relativamente à quantidade de líquidos.”

Os eletrólitos também estão na moda, mas será que ajudam no caso de uma hidratação regular? O especialista explica: “Para a maioria das pessoas, a água é suficiente para garantir uma boa hidratação. As bebidas com eletrólitos podem ser úteis em situações de transpiração muito intensa, prática de exercício prolongado ou episódios de vómitos ou diarreia, porque ajudam a repor sais minerais perdidos.”

Desta forma, não precisa de procurar este tipo de bebidas se procura apenas a hidratação habitual. “Para quem está apenas a enfrentar temperaturas elevadas e mantém uma alimentação equilibrada, a água continua a ser a melhor opção. Deve evitar-se o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e limitar refrigerantes e bebidas muito açucaradas”, continua o médico.

A medicação e o calor é outro dos temas que gera muitas dúvidas. Existem fármacos que acabam por influenciar a forma como o corpo regula a temperatura e é importante estar atento a algumas situações.

“Alguns medicamentos podem dificultar a regulação da temperatura corporal ou mesmo favorecer a desidratação. Entre os mais relevantes estão os diuréticos, que aumentam a perda de líquidos; alguns medicamentos para a hipertensão arterial; determinados antidepressivos e antipsicóticos, que podem reduzir a capacidade de transpiração; alguns anti-histamínicos e medicamentos com efeito anticolinérgico”, explica António Hipólito de Aguiar. 

Porém, o especialista deixa um conselho. “Pessoas que tomam estes medicamentos não devem interromper a medicação por iniciativa própria, mas devem reforçar as medidas de proteção contra o calor e, se necessário, aconselhar-se com o seu médico.”

Proteger os grupos mais vulneráveis é algo que deve ser feito em alturas de maior calor. No caso dos bebés, é de extrema importância evitar locais muito quentes e ficarem sozinhos no interior de carros.

“Os bebés devem permanecer em ambientes frescos, vestidos com roupa leve e respirável e ser hidratados de acordo com a idade, mantendo a alimentação habitual e oferecendo líquidos quando apropriado. Nunca devem ficar dentro de um carro, mesmo durante poucos minutos.”

Já no que aos idosos diz respeito é também preciso ter alguns cuidados. “É importante incentivar a ingestão regular de água, mesmo sem sede, evitar a exposição ao calor nas horas de maior intensidade, manter a casa fresca e garantir que familiares ou vizinhos acompanham quem vive sozinho, já que muitos podem não reconhecer precocemente os sinais de desidratação ou de golpe de calor.”

Além destes grupos de risco, mais óbvios, existem outros que podem vir a ter problemas em situações de calor extremo e é igualmente importante ter atenção. “Também são particularmente vulneráveis as grávidas, pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias, renais ou diabetes, pessoas com obesidade, trabalhadores expostos ao calor, atletas, pessoas em situação de sem-abrigo e quem toma medicamentos que interferem com a regulação da temperatura ou da hidratação.”

António Hipólito de Aguiar diz ainda que “crianças pequenas também têm maior dificuldade em regular a temperatura corporal do que os adultos”.

Além de dicas e recomendações para grupos específicos e o que fazer em caso de insolação, existem alguns conselhos que o especialista deixa para que todos sigam nesta onda de calor.