A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou pela terceira vez uma resolução para encerrar a guerra com o Irã, em uma nova tentativa de impedir o presidente Donald Trump de manter as ações militares no Oriente Médio sem autorização do Congresso. A medida…
A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou pela terceira vez uma resolução para encerrar a guerra com o Irã, em uma nova tentativa de impedir o presidente Donald Trump de manter as ações militares no Oriente Médio sem autorização do Congresso. A medida recebeu 220 votos a favor e 204 contra na noite de terça-feira.
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Todos os democratas apoiaram a resolução. Os membros da oposição foram acompanhados por sete republicanos — três a mais do que nas votações anteriores sobre o tema. Apesar da aprovação, a medida enfrenta obstáculos para entrar em vigor. As resoluções anteriores da Câmara não chegaram à mesa de Trump, que, muito provavelmente, vetaria uma iniciativa para restringir seus poderes militares.
O deputado democrata Seth Moulton, de Massachusetts, relembrou a afirmação de Trump de que a guerra duraria “apenas algumas semanas” e reiterou que chegou a hora de o Congresso “realmente fazer perguntas difíceis, como a Constituição nos orienta a fazer, em vez de ser subserviente a mais um governo belicista”.
Já o deputado republicano Brian Mast, da Flórida, que atua como presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, justificou que o Irã continua representando uma ameaça e que Trump está tentando encerrar “décadas de hostilidades” por parte da República Islâmica. “Eles são uma ameaça contínua e permanente aos Estados Unidos”, disse Mast. “Já chega.”
A votação de terça-feira deve ser a última da casa legislativa sobre a guerra antes das eleições de meio de mandato, em novembro. Os parlamentares devem deixar Washington no fim desta semana para se dedicar às campanhas, a menos de 50 dias do pleito que pode redefinir o controle do Congresso.
O conflito, iniciado pelos EUA em conjunto com Israel em 28 de fevereiro, se aproxima de sete meses e tem provocado impactos econômicos no território americano. A interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por exemplo, contribuiu para elevar os preços dos combustíveis, enquanto o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês) estimou nesta semana que a guerra já custou mais de US$ 38 bilhões até 1º de agosto.
O CBO, além disso, calcula que o conflito poderá gerar gastos adicionais de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões por mês, dependendo da intensidade dos combates, e elevar a inflação americana em 0,5 ponto percentual no início de 2027.
As tentativas do Congresso de limitar a atuação militar de Trump têm esbarrado na resistência republicana. O Senado chegou a aprovar, em sua décima tentativa, uma resolução sobre poderes de guerra, mas republicanos reverteram a posição no dia seguinte após críticas do presidente Trump feitas a portas fechadas.
A Constituição americana atribui ao Congresso o poder de declarar guerra, ao mesmo tempo que confere ao presidente autoridade, como comandante em chefe, para determinadas ações militares. Criada depois da Guerra do Vietnã, a Lei de Poderes de Guerra, por sua vez, estabelece que operações militares prolongadas, após 60 ou 90 dias, precisam de autorização do Congresso.




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