A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira um amplo projeto de sanções e tarifas destinado a aumentar a pressão econômica sobre a Rússia por sua invasão da Ucrânia. Em seguida, o texto foi enviado ao presidente Donald Trump para sanção …

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira um amplo projeto de sanções e tarifas destinado a aumentar a pressão econômica sobre a Rússia por sua invasão da Ucrânia. Em seguida, o texto foi enviado ao presidente Donald Trump para sanção quase um ano e meio depois de ter sido apresentado pelo falecido senador republicano Lindsey Graham.

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O projeto, agora chamado de "Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã de 2026", em homenagem ao republicano da Carolina do Sul, foi aprovado pelo Senado no mês passado. A Câmara aprovou a medida por 262 votos a 159, com 58 democratas contrariando a liderança do partido e se juntando a todos os republicanos, com exceção de sete, em apoio ao texto.

A legislação tem como alvo os setores de energia e defesa da Rússia, assim como sua "frota fantasma" de petroleiros que driblam as sanções existentes, com o objetivo de privar Moscou de recursos usados para financiar a guerra contra a Ucrânia.

A medida enfrentou resistência porque também autoriza Trump a impor tarifas elevadas, de até 100%, à China, à Índia e a outros países para reduzir a dependência deles do petróleo e do gás russos, além de ampliar as sanções contra o Irã.

A China "se opõe sistematicamente à jurisdição extraterritorial que não tenha fundamento no direito internacional e não tenha sido autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês em uma entrevista coletiva regular nesta quinta-feira, ao ser questionado sobre o projeto.

É a legislação relacionada à Ucrânia mais significativa aprovada pelo Congresso desde que Trump retornou à Casa Branca e seus correligionários republicanos assumiram o controle das duas Casas do Congresso, em janeiro de 2025.

A proposta enfrentou resistência considerável desde que Graham e dezenas de outros senadores a apresentaram, em abril de 2025. Trump só autorizou os líderes republicanos do Congresso a marcar uma votação em julho de 2026 — poucos dias antes da morte repentina de Graham, em 11 de julho.

"Isso significa muito para mim e significava muito para Lindsey", disse a senadora republicana Darline Graham, nomeada para ocupar a cadeira de seu falecido irmão, em entrevista coletiva após a votação.

A Rússia lançou sua invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, e os dois lados travam desde então a guerra mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, Trump tem, em geral, preferido manter sob seu controle as tarifas e sanções, instrumentos centrais de sua política externa, em vez de trabalhar com o Congresso na aprovação de leis.

A lei Graham foi aprovada pelo Senado no mês passado por 86 votos a 11, com forte apoio bipartidário, depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, se reuniu com parlamentares para defender sua aprovação e tomou a medida incomum de acompanhar uma votação de procedimento de um assento no plenário.

Zelensky reiterou seu apoio ao projeto em um discurso nesta semana, afirmando que é "importante que ele se torne lei. Agradeço a todos ao redor do mundo que apoiam essa abordagem e que sabem que a força funciona".

Rússia e Ucrânia têm trocado ataques nos últimos meses contra infraestrutura e outros alvos econômicos, com o objetivo de prejudicar os esforços de guerra do adversário. Na quarta-feira, drones russos atingiram um ônibus de passageiros e um trem no sul da Ucrânia, matando cinco pessoas.

O projeto enfrentou oposição de democratas na Câmara, que afirmaram que o texto concede a Trump novos poderes tarifários excessivos, que poderiam ser usados contra aliados dos EUA. Eles dizem que Trump já dispõe da autoridade necessária para impor sanções à Rússia, mas optou por não fazê-lo.

Os democratas também afirmam que o projeto torna fácil demais para Trump deixar de impor sanções simplesmente declarando que aplicá-las não é do interesse nacional, uma prerrogativa presidencial muito mais ampla do que a prevista na maioria das leis de sanções.

O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que a legislação contém tantas brechas que sanções capazes de prejudicar a Rússia poderiam acabar não sendo aplicadas. "O que esta legislação fará é dar a Donald Trump, talvez, autoridade irrestrita para desencadear tarifas sobre o povo americano", disse o parlamentar de Nova York ao anunciar que votaria contra o projeto.

Alguns republicanos demonstraram preocupação com possíveis repercussões políticas de novas tarifas e de uma eventual alta dos preços ao consumidor antes das eleições legislativas de meio de mandato de novembro, nas quais pesquisas mostram que o partido enfrenta dificuldades para manter o controle da Câmara.

Os defensores da medida, porém, disseram que o projeto — um raro exemplo de legislação aprovada com apoio significativo dos dois partidos — enviará uma mensagem essencial à Rússia e ao mundo de que Washington continua apoiando a Ucrânia, ajudando a pressionar Moscou a negociar.

"Hoje, estamos um passo mais perto de concretizar a visão de Lindsey de uma paz duradoura na Ucrânia e além", disse o deputado republicano Michael McCaul, do Texas, um dos principais autores da legislação, em entrevista coletiva após a votação na Câmara.