As duas posições mais icônicas do futebol mostram que seus papéis tradicionais parecem ser coisa do passado

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East Rutherford | AFP

Esqueça o camisa 9, centroavante clássico. Esqueça também o habilidoso camisa 10, centralizado porém lento: na Copa do Mundo de 2026, as duas posições mais icônicas do futebol mostraram que seus papéis tradicionais parecem ser coisa do passado.

Antes de a bola rolar, no dia 11 de junho, o Grupo de Estudos Técnicos (TSG) da Fifa fez a previsão de que o Mundial na América do Norte seria o palco onde uma tendência, que já ganhava força no futebol de clubes, se consolidaria de vez.

As funções de criação ficariam a cargo de meio-campistas que atuam de uma área à outra ou de alas, enquanto a responsabilidade de fazer gols recairia sobre "falsos nove" ou pontas, em vez dos tradicionais centroavantes, sustentaram os especialistas.

A transformação dessas duas posições, vitais para a popularidade do esporte, é impulsionada pela "pressão e intensidade" do futebol moderno, afirmou em maio Jon Dahl Tomasson, membro do TSG.

Esses fatores exigem que os jogadores possuam atributos diferentes daqueles necessários no passado, acrescentou o ex-jogador e técnico dinamarquês.

As previsões feitas antes do torneio se confirmaram, e a competição entra nesta semana na fase de semifinais, com confrontos entre Espanha e França e entre Inglaterra e Argentina.

Dos cinco principais artilheiros, apenas o norueguês Erling Haaland é um camisa 9 clássico.

Os outros quatro —Lionel Messi, Kylian Mbappé, Harry Kane e Jude Bellingham— ou não são centroavantes de ofício, ou atuam pelas pontas, movimentam-se por diversas zonas do ataque e recuam para fora da área para ajudar na construção das jogadas.

Enquanto isso, as funções de armação e controle de jogo agora recaem sobre pontas e meias de primeira linha.

No top 10 dos jogadores com mais assistências, apenas Michael Olise atuou como um camisa 10 clássico. No entanto, ele é veloz e capaz de superar defensores no mano a mano, duas características raramente encontradas nos armadores da velha guarda.

"O modelo de jogo, a estrutura das equipes e a tendência que os treinadores vão buscando são jogadores pelo lado do campo de velocidade", disse à AFP o ex-meia da seleção brasileira Zinho.

"São atacantes que tenham mobilidade, que façam mais de uma função, então cada vez tem menos 'camisas 9'", acrescentou o campeão mundial em 1994.

Dividindo a artilharia desta Copa com Messi, ambos com oito gols, Mbappé é a principal referência ofensiva da imparável seleção francesa de Didier Deschamps.

No entanto, o capitão francês não se limita a ser um jogador de referência dentro da área. Ele circula por todo o setor ofensivo, pressiona os adversários e se entrosa com fluidez no temível trio de ataque completado por Olise e Dembélé.