Para Hely Ferreira, as agressões na campanha ao governo de Pernambuco começaram cedo demais este ano - Foto: Arquivo Folha de Pernambuco A disputa pelo Palácio do Campo das Princesas ingressou em uma fase crítica na qual os embates cedem espaço às hostilidades pessoais. O fenômeno não surpreende quem acompanha a história política de Pernambuco, celeiro de campanhas marcadas por alto grau de acirramento.

A precocidade com a qual as agressões se instalaram no debate público sinaliza um ambiente de contornos preocupantes para as próximas semanas. O estado vive, na prática, uma espécie de pleito permanente. Desde o encerramento das urnas em 2022, os movimentos entre o Palácio e a oposição se mantiveram em tom de constante pré-campanha. O rearranjo de forças, a troca de farpas e a antecipação das peças publicitárias revelam uma disputa incessante. O clima deve esquentar ainda mais com o acirramento mostrado em pesquisas de intenção de voto e com os primeiros debates no rádio e na TVesta semana. Ao analisar esse cenário, o cientista político Hely Ferreira adverte para os perigos do agravamento das ofensas à medida que a data da votação se aproxima. Pontua que quando os ataques descambam para a esfera pessoal com antecedência, a reta final tende a se tornar um terreno minado. Paralelamente, o professor tem dúvida sobre a capacidade de resposta da Justiça Eleitoral diante do volume de contestações. O rito judiciário, embora munido de prazos sumários, enfrenta entraves operacionais frente à velocidade das redes e à disseminação de peças difamatórias, em que o direito de resposta raramente alcança o mesmo impacto do dano provocado.