Ministros do STF se dividem entre apoio e críticas ao relator do processo da trama golpista
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
14.jul.2026 às 23h00
Edição Impressa Diminuir fonte
Carolina Linhares Ana Pompeu Luísa Martins
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aposta em um pedido da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para reverter a proibição, estabelecida pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, de que o senador visite seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pelos próximos 90 dias.
Em ofício a Moraes, a Ordem pediu para que seja "assegurada a possibilidade de comunicação pessoal e reservada entre o advogado e seu constituinte para finalidades estritamente profissionais" e nos termos que o ministro entender serem necessários.
Uma parte dos aliados do senador admite ser difícil que Moraes ou integrantes da Primeira Turma do STF acate algum recurso para reverter a situação, dado que veem esses ministros como adversários políticos do bolsonarismo. Ainda assim, a defesa de Flávio fez o pedido para que a OAB apelasse ao ministro como forma de testar o ambiente do Supremo.
Integrantes da corte se dividem a respeito da eficácia da medida. Enquanto um ministro afirmou à Folha esperar uma solução salomônica em torno do pedido dos advogados e criticou a decisão de Moraes, outro chamou de tola a solicitação da Ordem e deu razão ao colega.
Aliados mais otimistas do presidenciável do PL dizem que o veto de comunicação entre Flávio e Bolsonaro pode não perdurar tanto tempo e minimizam o impacto eleitoral da medida.
Esses aliados não descartam que Moraes atenda o pleito da OAB e volte atrás. Para integrantes da pré-campanha, entendem que a decisão do ministro foi um tiro no pé, que serviu apenas para vitimizar Flávio e unificar a direita em torno dele. Podem pesar ainda, dizem eles, as críticas internas de parte dos ministros à posição de Moraes.
Por enquanto, a estratégia da pré-campanha é aguardar o tom da manifestação de Moraes à OAB antes de avaliar ingressar com recursos para derrubar a medida, que também podem ser interpostos pela defesa de Bolsonaro. Esses recursos seriam julgados pelo próprio Moraes ou pela Primeira Turma, composta por ele e Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
Na segunda-feira (13), Moraes proibiu Flávio de visitar o pai por 90 dias após entender que o senador descumpriu a medida cautelar que veta o ex-presidente de usar redes sociais, diretamente ou por terceiros, ao divulgar uma carta de Bolsonaro no fim de semana.
O presidenciável, que é advogado e está inscrito desde março na defesa do ex-presidente para ter mais acesso a ele, acionou a Procuradoria Nacional de Defesa das Prerrogativas da OAB para manter o contato direto com Bolsonaro.
Reservadamente, um ministro do STF afirmou que a decisão de Moraes de proibir as visitas de Flávio a Bolsonaro foi um gesto público muito ruim e comparou com a situação de Lula (PT), preso em 2018, que podia escrever e divulgar cartas na ocasião. Ainda segundo esse ministro, manter esse veto por 90 dias, até depois do primeiro turno, seria uma interferência na eleição.
No entanto, a decisão de Moraes tem o apoio de outros membros da corte que costumam dar respaldo ao relator desde o início do processo da trama golpista. A leitura de pessoas próximas a Moraes é a de que, caso ele opte por levar o tema para julgamento na Primeira Turma, ele terá maioria para manter os termos da sua decisão.
De acordo com um interlocutor, porém, Moraes não ignora que magistrados que integram a ala oposta à sua no Supremo têm críticas à medida. Auxiliares dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, por exemplo, entendem que a suspensão das visitas por causa da carta foi uma medida extrema.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário