O reajuste do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi visto como uma "armadilha" por articuladores que integram o núcleo da campanha de seu principal rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Apesar de ser avaliada como uma me…
O reajuste do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi visto como uma "armadilha" por articuladores que integram o núcleo da campanha de seu principal rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Apesar de ser avaliada como uma medida eleitoreira, a popularidade do aumento do benefício pesa na definição de uma reação.
Fontes que integram a equipe da campanha de Flávio ouvidas pelo Valor descartam a judicialização do tema no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A leitura é de que Flávio está em um bom momento com o eleitorado e qualquer questionamento jurídico não surtiria efeitos a tempo do primeiro turno das eleições e poderia, inclusive, trabalhar contra ele. Além disso, avalia-se que o público beneficiado já é eleitor de Lula, e na prática, o reajuste não deve alterar a curva de crescimento do candidato bolsonarista.
Há ainda um receio de que Flávio seja apontado pela campanha petista como alguém que atua contra benefícios sociais. Para rebater essa tese, a estratégia é remontar ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e reforçar o argumento de que o pai do candidato é quem aumentou o benefício para R$ 600 — na época o programa foi rebatizado para Auxílio Brasil.
Ainda assim, mais cedo, Flávio criticou o “timing” do anúncio do reajuste, a apenas 17 dias das eleições presidenciais. Apesar das críticas ao caráter supostamente eleitoreiro do reajuste, o ex-presidente Jair Bolsonaro também apostou em medidas populares no auge das eleições, em 2022.
Aprovada como Emenda Constitucional 123, a proposta ficou amplamente conhecida como "PEC das Bondades" ou "PEC Kamikaze" e incluía o aumento do Auxílio Brasil, vale-gás, auxílio a caminhoneiros e taxistas, entre outras medidas.
Em um comício nesta quinta-feira (17) em Vitória da Conquista, na Bahia, Flávio comparou o poder de compra do benefício durante o governo Lula e o governo de seu pai e classificou a medida como um ato de desespero de Lula.
“Eu vou olhar para frente porque eu quero ajudar pessoas como você, que recebem Bolsa Família, mas precisam complementar a renda, porque os R$ 600 hoje não compram mais o que compravam no governo do presidente Bolsonaro. E não caiam em mais uma falsa promessa. Porque o Lula, num ato de desespero, acabou de fazer um decreto”, declarou o candidato do PL.
“[Lula] Fez uma coisa que não fez em quatro anos de governo. E, faltando 17 dias para a eleição, ele acha que vai ganhar alguém dando reajuste no Bolsa Família. Ele sabe que isso não pode. Mas eu não me desespero, porque ele sabe que está perdendo”, completou.
O reajuste anunciado nesta quinta-feira (17) pelo Palácio do Planalto prevê que o benefício mínimo do Bolsa Família passará dos atuais R$ 600 para R$ 691. O benefício médio, considerando os adicionais conforme critérios de composição de família, passará de R$ 675 para R$ 777.
Flávio tem feito questão, porém, de reforçar que os benefícios estarão garantidos em seu governo: “Eu vou cuidar de cada um de vocês. E eu quero dar a palavra muito direta e objetiva pra aquelas pessoas que precisam do governo, que precisam de um BTC, que ganham o Bolsa Família. O Bolsa Família tá garantido, ninguém vai tocar nesse benefício de vocês”.
Integrantes do grupo bolsonarista chegaram a levantar a possibilidade de o candidato à Presidência prometer um aumento ainda maior do valor do benefício em relação àquele anunciado pela equipe econômica do atual presidente. Essa alternativa, no entanto, está fora de cogitação neste momento, de acordo com o núcleo da campanha.
Durante sua live semanl, o senador disse que o reajuste é uma "merreca" que a medida é uma "merreca" e acusou Lula de estar tentando "comprar voto" dos mais pobres.
"Lula, é essa é a cartada que você tem? Dar 15% de reajuste no Bolsa Família. Só isso? Essa merreca. Não tem vergonha na cara não, Lula? Está achando que vai comprar o voto do pobre, dando mais 90 reais por mês para o pobre?", disse.
Flávio ainda declarou que não irá mexer no programa social e, muito menos, no reajuste feito pelo petista caso ganhe as eleições neste ano. "Comigo está garantido o Bolsa Família. Vou manter esse reajuste. Só que eu vou fazer muito mais do que isso", pontuou.
O postulante do PL ainda destacou que o pedido do deputado federal Zé Trovão (PL-SC) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para rever o reajuste do valor do Bolsa Família não foi realizado com a autorização dele. Essa ação apresentada por Trovão já foi rejeitada pelo ministro do TSE, André Mendonça, na noite desta quinta.
"Eu quero fazer um apelo aqui aos brasileiros que não me têm como primeira opção para presidente da República, que preferem votar em outro candidato que seja oposição ao Lula. Considere votar em Flávio Bolsonaro já no primeiro turno para a gente resolver essa parada logo no primeiro turno", declarou o senador em sua live semanal no YouTube.
A pesquisa Datafolha divulgada na noite desta quinta-feira (17) mostra um aumento de um ponto percentual do postulante do PL no primeiro turno, ficando com 36% nas intenções de voto. Com isso, ele empatou tecnicamente com o presidente petista nesta rodada, que tem 39%. No levantamento do instituto publicado há uma semana, Lula também apresentava 39%, ante os 35% de Flávio.
No segundo turno, eles seguem empatados tecnicamente. Lula lidera numericamente com 46% das intenções de voto, seguido pelos 44% de Flávio. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Mesmo com esse crescimento do candidato do PL nas pesquisas, aliados do senador acreditam ser difícil uma vitória em primeiro turno. O reforço do discurso no voto útil, contudo, tem como objetivo diminuir a distância dele em relação ao presidente da República no primeiro turno.



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