Raquel Lyra e João Campos - Davi de Queiroz e Arthur Mota/Folha de Pernambuco Em vídeo publicado nas redes sociais, o candidato ao governo estadual João Campos (PSB) aparece sentado no banco do passageiro e, rouco, diz: “A candidata tem muito mais ataque do que proposta”, depois de assistir a um conteúdo publicado pela campanha de Raquel Lyra (PSD) na internet. No perfil da governadora, o tom é parecido. Uma publicação no perfil oficial mostra Raquel discursando para aliados e afirmando: “Atacaram minha família de maneira rasteira, me atacaram de maneira rasteira”.
A disputa acirrada entre João e Raquel é o principal gatilho dessa estratégia de ofensivas nas timelines dos eleitores. É necessário ocupar não só as ruas, com bandeiras e jingles, mas também as telas dos celulares, fortalecendo a própria imagem e, principalmente, enfraquecendo a do adversário. Cientistas políticos entrevistados pela reportagem da Folha de Pernambuco observam campanhas voltadas à desconstrução do outro. Digital “Apesar da percepção coletiva de que a campanha de rua deu uma certa esfriada no engajamento da militância, a campanha tem acontecido predominantemente no ambiente digital”, inicia a cientista política Priscila Lapa. A especialista reconhece o protagonismo que as redes sociais ganham, a cada eleição, nas campanhas políticas. Em paralelo, a importância das redes cresce à medida que o eleitor se torna inflexível a mudar de voto, como observa Priscila. “Ao mesmo tempo, vivemos uma das maiores intensidades de polarização da história, com pesquisas demonstrando a indisponibilidade do eleitor de mudar o voto. A conjuntura tem pouco poder sobre a escolha porque é um voto já muito estruturado. Há uma dicotomia entre o esfriamento da rua e o fortalecimento no digital, onde se reafirmam as posições e o que o professor Felipe Nunes chama de 'cristalização do eleitor'”, explica. Estratégia O professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e cientista político Elton Gomes aponta que o debate, neste caso de disputa acirrada, deixa de ser sobre propostas e assume outras finalidades. “Eles se acusam mutuamente. Isso é consequência de transformações sociais e tecnológicas que impactam a vida política. O resultado é uma campanha menos propositiva e mais focada na construção da própria imagem e na desconstrução do adversário. Trata-se de criar uma eleição que funciona quase como um plebiscito negativo: mesmo que o eleitor não goste de um candidato, vota nele para evitar o outro”, analisa.




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