As contratações mais elevadas dos candidatos nos primeiros dias de campanha se resumem a contratos com marqueteiros, escritório de advocacia e impulsionamento de publicações em redes sociais, segundo levantamento do Valor. O Partido Liberal (PL) lidera o ranking tendo três dos cinco contratos mais caros da lista divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é atualizada diariamente à medida que as prestações de contas são enviadas.

Duda Lima integrou a equipe de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022 e coordenou a campanha de Ricardo Nunes (MBD) para a prefeitura de São Paulo, em 2024. Segundo informações do relatório financeiro enviado ao TSE, o contrato deste ano tem como objeto a “prestação de serviços técnicos” de planejamento, consultoria e comunicação para 112 candidatos e 54 candidatas em São Paulo, onde existem 169 candidatos pelo partido.

O diretório estadual do PL foi o responsável pelo pagamento. Gastos da campanha de Flávio à empresa Duda Lima ainda não foram informados. Em nota, o publicitário pontuou que "o PL de São Paulo precisa eleger muitos deputados e deputadas" e sua empresa tem trabalhado para entrega dos materiais. "Tudo estará na prestação de contas como a lei manda", disse.

O segundo maior gasto do PL e terceiro da lista geral do TSE é o contrato de R$ 3,15 milhões pago pela campanha de Flávio ao escritório de advocacia da ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Maria Claudia Bucchianeri, nomeada por Jair Bolsonaro em 2021. Ela deixou a Corte em 2023.

Bucchianeri também já atuou na equipe jurídica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018, quando o presidente estava inelegível, advogou na campanha do deputado Arthur Lira à presidência da Câmara dos Deputados e representou o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em nota, o escritório informou que “foi regularmente contratado pela campanha de Flávio Bolsonaro para toda atuação contenciosa ativa e passiva no Tribunal Superior Eleitoral” e que tem equipe “majoritariamente feminina”. “O trabalho é hercúleo, envolve prazos em horas todos os dias da semana, e será prestado por uma equipe de 15 profissionais, entre advogados, controladores, apoio digital e secretariado.”

“A atuação em campanha eleitoral presidencial envolve serviço altamente especializado. Daí porque é extremamente comum a participação de advogadas e advogados que já passaram pela Corte em campanhas presidenciais, realidade não só da campanha de Flávio Bolsonaro, como de Lula, que anunciou recentemente dois ex-ministros em seu time jurídico”, afirmou, em nota.

A campanha de Lula ainda não enviou relatório financeiro de despesas. Procurada, a campanha não deu retorno até a publicação desta matéria.

O terceiro contrato, também pago pelo PL de São Paulo e que está em quinto lugar na lista do TSE, foi feito à empresa Fan Movie, criada em fevereiro do ano passado, para a produção, captação, direção, edição e finalização de conteúdo audiovisual, também para 112 candidatos e 54 candidatas do partido. O montante é de R$ 2,9 milhões. Um dos sócios é o marqueteiro baiano Bruno Cartaxo, que atuou na campanha de João Roma, ex-ministro da Cidadania durante o governo de Jair de Bolsonaro, para governo da Bahia no passado.

Gastos com rede social

O maior gasto até agora pelas campanhas foi com o impulsionamento de conteúdo nas redes sociais da Meta – dona do Facebook, Instagram e Whatsapp - totalizando R$ 5,9 milhões. A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), que concorre a uma vaga ao Senado no Paraná, foi quem mais gastou com o recurso para ampliar o alcance das publicações aos usuários, R$ 350 mil.

Em segundo, está o ex-governador de Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja (PL), que agora tenta uma vaga no Senado pelo mesmo Estado, totalizando R$ 150 mil em gastos. Em seguida estão o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato ao Senado, e a vereadora Maria Bragante (PSB), candidata a deputada estadual, com R$ 120 mil gastos cada um. Ambos concorrem em São Paulo.

Em quarto lugar na lista de cinco maiores gastos de campanha está a instituição de pagamentos Dlocal Brasil, tendo recebido R$ 3 milhões de mais de 244 candidatos.

As informações ainda são parciais. Até agora, segundo dados do TSE, cerca de R$ 96,4 milhões de gastos foram declarados pelos candidatos com fornecedores em relatórios financeiros, uma exigência da legislação federal. Partidos e candidatos têm até 13 de setembro para enviar a prestação parcial do que foi recebido e gasto, com detalhamento de como os recursos foram usados e de quem partiram as doações.

O relatório final deve ser enviado até 3 de novembro. Candidatos que não enviarem o documento à Justiça Eleitoral terão as contas julgadas não prestadas e ficarão sem quitação eleitoral por pelo menos 4 anos – oito anos no caso de candidatos ao Senado. A sanção continua até que as contas sejam apresentadas, mesmo fora do prazo.

O PL e Fan Movie foram procurados, mas não deram retorno até a publicação desta matéria.