O que andámos a ouvir? De Denzel Curry e Bonobo à surpreendente colaboração de Seu Jorge com Beck, passando pelo rock dos Cobrafuma e Twisted Teens, revelamos as descobertas de agosto.
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Esta semana no Isto Não Passa na Rádio o tema é: canções que descobrimos em agosto. Chama-se "Hotel" e é o tema de abertura do Isto Não Passa na Rádio, que está de regresso. Eu sou o Nelson Ferreira, comigo está hoje o António Moura dos Santos, porque o Tiago Pereira estará a banhos ou numa montanha a usufruir de uma bela sombra. Não sabemos, nunca saberemos. António, bem-vindo e obrigado por teres aceite este desafio.
Obrigado por me convidares de volta. Ainda bem que as minhas últimas seleções não criaram anticorpos suficientes.
Não os suficientes, pelo menos.
Não os suficientes. Vai ser hoje.
Olha, Salma Jô liderou uma banda brasileira chamada Carne Doce durante algum tempo. Parece que o projeto está agora em pausa e a Salma Jô decidiu lançar um single que estreia aquilo que será a sua nova carreira em nome próprio. Chegou no passado dia 18 esta "Hotel". Salma Jô é natural de Goiânia. Gostava de ir, nunca fui, mas pelo nome parece-me bem. Até porque há uma foto do single que tem o Goiânia Palace Hotel e eu não me importava de lá passar umas noites. Hotel é então o ponto de partida para esta carreira a solo de Salma Jô, a que vamos continuar atentos. Tem aquela indie pop que tem surgido com muita frequência no Brasil. Também com projetos como os Bala Desejos, que entretanto deram origem a Julia Mestra, Zé Ibarra e outros nomes. Há sempre um lado meio tropical indie que eu gosto nesta nova vaga.
Acho que resulta. É pessoal que pega naquele imediatismo da pop e faz uma coisa que é simples. Lá está, simples não é um defeito aqui, é uma coisa imediata que entra no ouvido e fica automaticamente retido. Parece-me muito interessante. Se é para fazer canções destas que ela vai deixar os Carne Doce marinar durante algum tempo.
António, trouxeste também para as descobertas de agosto Denzel Curry, com um tema chamado "Difference". O que é isto? Música nova?
É música nova, é um EP ou um álbum pequenino. Hoje em dia, ainda por cima, tudo o que é lançado online, o que são os formatos? Já não existem.
Morreram. Este é um álbum colaborativo com o Kenny Beats, que agora dá pelo nome Civil. Eles já tinham colaborado num EP de 2020, que é o "Unlocked", e o Kenny Beats, ou Kenneth, não só faz muito trabalho no hip-hop O seu leque é cada vez mais vasto. Ele já trabalhou com os Idles, por exemplo, no "Crawler" e no "Tank". Trabalhou ano passado no "Getting Killed", dos Geese. Este ano também trabalhou no álbum dos Wizard, portanto, é um produtor com uma palete sónica muito vasta. E o Denzel Curry, para mim, é um dos melhores rappers. Eu vou chamar-lhe de segunda linha, sem isto ser uma crítica, é mesmo porque não tem a fama que outros nomes do género têm. Não tem essa projeção. É daqueles rappers que, para quem gosta mesmo de hip-hop e vai seguindo, conhece-o. Ele já lançou vários álbuns muito bons. Eu tive a oportunidade de o ver há uns bons anos no Music Box e foi um concertaço. E esta música conta com uma participação de uma cantora americana que eu esqueci-me momentaneamente.
Kenneth Bloom? Esse era o que estavas a falar.
Yebba, exatamente. É uma cantora que faz o falsete no refrão e diria que é um bocadinho deste EP, mas a vibe desta música e também da primeira do álbum é muito MF Doom na produção. Portanto, se gostarem de MF Doom, provavelmente vão gostar disto.
Denzel Curry de regresso com "Difference", aqui numa colaboração também com Yebba e com outro produtor, recorda-me o nome, fiquei curioso. Kenneth...
Agora esqueci-me outra vez. É porque eu só me lembro de Kenny Beats, que é o nome com que ele assinava.
Chega. Podem procurar por Kenny Beats. Uma brincadeira, se calhar, com Kenny G. Gosta da ideia?
Olha, "Difference", gostei muito. Toada acelerada aqui do Denzel Curry neste novo single. E já que estamos numa de América, vamos aqui a uma América que me tem andado a conquistar, através de uma banda chamada Twisted Teens. Os Twisted Teens são de Nova Orleães e fazem ali um crossover estranho. Primeiro, quando os ouvi, achei finalmente uma banda realmente nova, com um som, uma identidade que eu ainda não tinha ouvido. Não é muito comum.
Sim, mas também todas as coisas novas que ouvimos são as misturas que ainda não foram feitas de coisas que já existem. Eles conseguiram fazer isto entre o punk e a country, o que é um pouco estranho, mas resulta super bem. Eles já existem há algum tempo, mas acho que agora, parei-me com uma informação que parece que em agosto assinaram pela Sub Pop Records, o que lhes está a dar também uma visibilidade mais internacional. Não tinham alguns dos discos editados de forma internacional e agora estão a conseguir fazê-lo também com este novo contrato na Sub Pop Records. Ainda assim, em julho, sei que estamos em agosto, mas eu só cheguei a eles agora. Em julho saiu o "Florida Water Blues", que é também o nome da canção que vamos ouvir agora. Deixo as apreciações para depois. Aqui ficam os Twisted Teens. Tenho andado bastante conquistado com o som destes rapazes. "Florida Water Blues", os Twisted Teens. É uma das minhas descobertas de agosto que mais me conquistaram. Este é um disco que saiu em julho. Tenho gostado muito deste crossover. Li algures também que poderia ser uma mistura entre os Stooges, Tom Waits e Gun Club. Há aqui alguma coisa de punk rock, mas depois tem umas guitarras meio banjo, meio country.
Se tu pensares no outlaw country e no punk, há muita coisa em comum. Ser contra a autoridade.
Gostar de beber uns copos.
Gostar de beber uns copos, exatamente.



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