"O problema com o funk é a letra, não o ritmo. Quem não percebe a diferença tem déficit cognitivo [SIC]", justificou Lucas Pavanato (PL)
Após associar o funk ao crime organizado durante a CPI dos Pancadões em São Paulo, o vereador Lucas Pavanato (PL) recorreu ao gênero musical em peças da própria campanha para a Câmara dos Deputados. Nas redes sociais, o parlamentar fez postagens com o jingle “Corte Rápido (Funk do Pavanato)”, pancadão que pede votos no candidato.
“Vota no Pavanato. Vota, vota no Pavanato. 2211, eu tô fechado com você. Lucas Pavanato é o melhor de SP”, canta o candidato em um vídeo em que aparece usando óculos Juliet e segura uma caixa de som — acessórios que são comuns ao universo do funk.
Pavanato foi relator da CPI criada em 2025 na Câmara Municipal com o objetivo de “investigar possíveis omissões dos órgãos públicos na fiscalização da perturbação do sossego, especialmente no combate a festas clandestinas e ‘pancadões’ realizados em São Paulo”.
Ao longo da comissão, o vereador esteve alinhado com o presidente da CPI, Rubinho Nunes (União), ao defender a visão de que funkeiros e bailes na periferia de São Paulo estão diretamente ligados à prática de crimes. No relatório final, Pavanato afirmou ser evidente que “pancadões, em determinados contextos, funcionam como espaços de difusão e normalização da chamada narcocultura“. No entendimento dele, o fenômeno legitima o crime organizado, o tráfico de drogas e a violência como “meios de ascensão social e afirmação identitária”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP Denúncia contra exposição de funk Durante o mandato, Pavanato também protagonizou mais de uma iniciativa contra o gênero. Em junho deste ano, o Museu da Língua Portuguesa decidiu adiantar o fim uma exposição sobre funk após representação do vereador e do deputado estadual Felipe Sertanejo (PL) ao Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A exposição Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade começou em novembro de 2025 e estava prevista para durar até agosto de 2026, mas foi encerrada no final de maio. Pouco antes do encerramento, Pavanato publicou um vídeo com críticas à mostra. Na gravação, ele afirmou que a exposição promovia “funk, sexualidade explícita e crime organizado”.
“O pior não é você retratar a realidade, é promover isso como se fosse normal. Quando um jovem vem para cá, ele acha que é uma cultura normal e desejável, mas não é”, disse na ocasião.
A denúncia pediu que o MPSP apurasse possíveis violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), devido à uma “exposição indevida de menores ao conteúdo considerado impróprio, além de eventual apologia ao crime organizado”, alegava o documento.
Em junho de 2025, Pavanato publicou outro vídeo, desta vez acompanhando a Guarda Civil Metropolitana (GCM) durante uma ação para “acabar com o pancadão” em Cidade Ademar, bairro na zona sul da capital paulista. “Tudo que gira em torno dos pancadões geralmente está na irregularidade, não está seguindo o que a lei estabelece, além de prejudicar o sossego”, afirmou enquanto autoridades autuavam uma adega irregular.
Frequência de envio: Diário




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário