Onde a verdadeira história reside. A frase estampada em cartazes deu o tom da reabertura da Capela dos Aflitos, na Liberdade, centro de São Paulo, neste sábado (27). Após dois anos de restauração, a igreja voltou a receber fiéis. Leia mais (06/27/2026 - 17h35)

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27.jun.2026 às 17h35 Atualizado: 27.jun.2026 às 23h48

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Onde a verdadeira história reside. A frase estampada em cartazes deu o tom da reabertura da Capela dos Aflitos, na Liberdade, centro de São Paulo, neste sábado (27). Após dois anos de restauração, a igreja voltou a receber fiéis.

A missa inculturada foi marcada pela presença de baianas, congadeiros, bandeiras de São Benedito e Nossa Senhora Aparecida. Os cânticos resgataram a ancestralidade negra e indígena de um dos lugares mais simbólicos de São Paulo.

Em frente à capela, mesas foram preparadas com o evangeliário, o lecionário e os objetos litúrgicos que seriam usados. As leituras escolhidas dialogavam diretamente com a história do local.

Em um dos trechos, o Livro das Lamentações lembrava o sofrimento de um povo marcado pela dor e pela perda. O salmo respondia: "Não esqueçais até o fim a humilhação dos vossos pobres".

O ministério de música deu início aos cânticos da liturgia afro, acompanhados por instrumentos de percussão que passaram a marcar o ritmo da celebração.

A procissão de entrada foi aberta pelos estandartes e pelos andores de Nossa Senhora dos Aflitos, padroeira da capela, de Nossa Senhora Aparecida e de São Benedito. Em seguida, entrou a imagem de Francisco José das Chagas, o Chaguinhas, considerado pela devoção popular o santo dos excluídos.

Em seguida, vieram os padres, ministros e integrantes da Pastoral Afro. As baianas de escolas de samba acompanharam o cortejo, seguidas pelos integrantes da Congada de São Benedito, que cruzaram o pequeno corredor formado pelos fiéis até alcançar o altar.

Os padres percorreram o interior do templo para realizar a bênção da capela. O gesto marcou simbolicamente a devolução daquele espaço aos fiéis.

Construída em 1779, a capela é um dos templos mais antigos da cidade. Foi erguida no centro do antigo Cemitério dos Aflitos, destinado ao sepultamento de pessoas escravizadas, indígenas, pobres e condenadas à morte que não podiam ser enterradas nos cemitérios das igrejas da capital.

Cercada hoje por edifícios, a pequena capela permaneceu como o único vestígio visível desse território.

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Preservação O restauro recuperou a estrutura comprometida pelo tempo e por obras realizadas em imóveis vizinhos. As rachaduras foram estabilizadas e o telhado passou por intervenções.

"Hoje ela está arquitetonicamente restaurada e entregue novamente à sociedade civil", afirmou Lucas Almeida, 24, presidente da Unamca (União dos Amigos da Capela dos Aflitos), que há anos atua na preservação do espaço.