As críticas que caracterizam "Tudo é Rio" como um livro que "passa pano" para a violência já incomodaram Carla Madeira, contou a escritora no Alt Tabet, pro...

Ouvir1×0.5×0.75×1×1.25×1.5×1.75×2×As críticas que caracterizam "Tudo é Rio" como um livro que "passa pano" para a violência já incomodaram Carla Madeira, contou a escritora no Alt Tabet, programa de Antonio Tabet do Canal UOL.

Ao responder sobre reações negativas ao romance, Carla Madeira afirmou que alguns leitores confundem o perdão com esquecimento e tratam a obra como se defendesse impunidade. Ela explicou como passou a lidar com esse tipo de interpretação.

Eu já pensei muito sobre isso. A principal crítica nem acho que é o machismo. [...] É assim que algumas pessoas leem. E eu já me chateei, já não me chateei. Carla Madeira

O livro aborda temas como violência doméstica e comportamento obsessivo ao narrar a história do casal Venâncio e Dalva, que tem a vida transformada por um fato trágico. A narrativa se complica com a entrada de Lucy, a prostituta mais cobiçada da cidade, que se apaixona por Venâncio.

Eu entendo essa luta que existe aí, esse temor de que qualquer coisa atrapalhe essa luta. Eu não tenho a menor dúvida, para mim, do meu ponto de vista, que quem tem essa dificuldade com o livro faz uma leitura do perdão como esquecimento e entende que o perdão é: "Vamos fingir que não aconteceu", e tem essa perspectiva, que é como se fosse uma bandeira pró-impunidade. Carla Madeira

A autora ainda pontuou que o desconforto de alguns leitores com os temas do livro se estende à figura dela própria.

E as pessoas também acham que sou eu, não percebem uma questão do eu lírico, que é um pouco isso que você está falando, que é esse lugar do escritor, que precisa ir nos lugares, falar sobre as questões. E as questões nem sempre podem ser, não dá para escrever um manual de boas práticas, né? Carla Madeira

Na avaliação da escritora, o livro pode virar uma "ocasião" para discutir as questões que ele levanta, mesmo quando a história particular contada ali abre espaço para interpretações divergentes.

Olha que legal, o livro se torna uma ocasião pra você discutir essas questões. Aí você vai discutir, vai falar, não, tem que fazer isso, tem que fazer aquilo. Beleza. Mas ele tem que ter a liberdade daquela história particular que tá acontecendo ali. E fora que tem as interpretações, né? Carla Madeira

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