Desde o lançamento de No Escuro, Quem É Você?, Carol Biazin não parou. O álbum duplo abriu ...
Cantora lançou o projeto na quarta, 26, e se apresenta no festival em 13 de setembro
Kadu Soares (@kadusoares__)
Desde o lançamento de No Escuro, Quem É Você?, Carol Biazin não parou. O álbum duplo abriu portas que a cantora ainda processa: indicação ao Grammy Latino, apresentação no Carnegie Hall, em Nova York, convite para integrar o projeto global Bershka Music, turnês por todas as regiões do Brasil e passagem pelo Rock in Rio Lisboa. Na quarta-feira (26), ela lançou o EP assumo os riscos e, poucas semanas depois, em 13 de setembro, sobe ao palco do Rock in Rio 2026 com uma banda de 13 músicos e Joyce Alane como convidada especial.
Carol é direta, questiona tudo, e não segura o que pensa. Quando fala de seu trabalho, deixa claro que a regra é não ser previsível. E quando o assunto é o palco, ela resume tudo em uma frase: não é sobre fazer um show perfeito, é sobre estar inteiro. Confira a entrevista completa.
Como está a ansiedade para o lançamento da EP, que sai amanhã? Falta menos de um dia. Como você está se sentindo?
Pior que eu tô bem, sabe? Acho que tem tanta coisa na minha cabeça ao mesmo tempo — principalmente o Rock in Rio — que o lançamento fica no meio de outras coisas também, né? Talvez eu não esteja pensando muito; eu só tô seguindo. Deixei tudo pronto para sair do jeito que a gente imaginou.
Amanhã sai a EP e depois também sai o clipe, e eu tô super ansiosa para as pessoas assistirem. Eu fico mais nessa pira de saber se a galera vai gostar. Mas eu tô segura do que eu construí. Pelo menos eu gostei. Eu falei: “Se vocês não gostarem…” (risos) Não, brincadeira — mas é isso: tô ansiosa para saber o que as pessoas vão achar.
Qual o sentimento que vem ao lançar uma EP? É mais alívio? Você falou de ansiedade? Uma mistura dos dois?
Acho que é tudo um pouco, né? Mas eu diria que é mais alívio do que ansiedade. Porque tá pronto, sabe? Nossa, o processo é sempre tão… Eu não diria caótico, é bom tem partes muito boas, mas chega um momento em que você tá ouvindo a mesma coisa, caçando defeito. Aí você fica: “Eu não aguento mais ouvir essa música; eu preciso que ela saia para eu voltar a ouvir aproveitando”. Porque eu só tô nessa função.
Eu sou muito chata e fico indo e voltando na mesma faixa. Para mim, é sempre muito suado, sabe, o processo. Nunca é uma coisa tipo: “Vai, fizemos, olha que leve. Em um dia saímos com a música”. Isso nunca aconteceu comigo, então, é um alívio sair e eu finalmente ter dado o OK. Tipo: “Graças a Deus, eu falei: gostei”.
Agora eu queria perguntar do nome do projeto, assumo os riscos. Quais riscos específicos você sente que está assumindo agora?
Eu acho que é um projeto que, primeiro, comunica essa despedida de uma era, uma era que foi muito importante pra mim, me levou pra tantos lugares novos e me fez alçar novos voos. Eu acho que existe uma linha, uma régua, em que colocam uma barra do tipo: ou você tem que ser isso aqui, ou você precisa ser mais do que isso. E essa é a minha régua, tá? Não é a régua das pessoas. É a minha.
E eu acho que o primeiro risco que eu decidi tomar foi realmente assumir essa vontade de fazer algo com que eu pudesse me despedir, aos poucos, de uma era que foi tão importante pra mim e pra outras pessoas que amam No Escuro, Quem É Você?. Então, eu acho que esse é o risco número um.
Não é o fim dessas músicas, porque elas vão me acompanhar eternamente, mas é o fim de uma era, de fato. É uma era que, pra mim, tá doendo dar tchau, porque eu gosto muito dela e eu ainda me enxergo muito nela até hoje.
Mas eu acho que a EP traz exatamente isso: naturalmente, eu já tava me despedindo em algumas músicas antes de eu assumir o fato de fazer uma EP. E aí eu falei: “Cara, eu acho que eu preciso fazer isso. Eu preciso criar um projeto que dê adeus e que celebre o No Escuro, Quem É Você? também”.
E aí veio essa ideia do assumo os riscos, que, na verdade, veio através do nome de uma faixa — a última faixa da EP — que eu acho que é a grande conclusão do que eu canto na EP toda. Ela vem pra fechar.
Assumir os riscos parece bobo, né? Mas é a gente se entregar na vida, se permitir. Eu acho até uma resposta pro próprio No Escuro, Quem É Você?, de forma indireta, porque ele é cheio de perguntas, cheio de questionamentos que nunca foram respondidos por mim — ou talvez até pelas pessoas que escutam — porque são perguntas que eu acho que não têm resposta. Talvez a gente nunca vá ter.
Mas, indiretamente, eu acredito que assumo os riscos vem pra isso: assumir os riscos de você se entregar mesmo, de viver coisas que você merece viver, de acreditar que você consegue chegar em lugares — tendo vindo de lá, sendo uma menina do interior.
É isso que eu acabo expressando dentro desse projeto como um todo: tá me permitindo chegar em novos lugares também. Porque eu acho que você vive uma coisa e acaba se acostumando com aquilo; e, com tudo que o No Escuro, Quem É Você? me proporcionou, se desapegar disso é muito difícil, né? Se desapegar dessa história, poder descansar e poder seguir pra uma próxima coisa no futuro também. Então, são uns entrecaminhos ali que assumo os riscos me proporcionou — caminhos desconhecidos, completamente desconhecidos.
Você chegou a dizer que essa EP foi pensada para os fãs. Como esse “pensado pra eles” aparece no processo criativo, de forma concreta?


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