"É tão fora de moda essa história de julgar o corpo alheio", diz Carolina Dieckmmann numa tarde fria em São Paulom quando fez questão de usar uma regata branca, atendendo a pedidos de sua assessora de que tivesse um visual diferente para aparecer neste jornal. "Ao mesmo tempo, estou tão feliz com meu corpo que isso não bate em mim, não me atravessa." Leia mais (07/20/2026 - 04h00)

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"É tão fora de moda essa história de julgar o corpo alheio", diz Carolina Dieckmmann numa tarde fria em São Paulo, quando fez questão de usar uma regata branca, atendendo a pedidos de sua assessora de que tivesse um visual diferente para aparecer neste jornal. "Ao mesmo tempo, estou tão feliz com meu corpo que isso não bate em mim, não me atravessa."

A atriz vestia um terno preto de alfaiataria com a tal regata por baixo, por dentro da calça, com um cinto grande e de fivela de metal enfeitada. Era o look da conversa com jornalistas para a divulgação do filme "Pequenas Criaturas", que venceu o Festival do Rio em 2025.

À noite, na pré-estreia, optou por um vestido curto Louis Vuitton preto com detalhes brancos, meio retrô. Mas, entre uma roupa e outra, fez selfies numa janela envidraçada de camiseta e calcinha contornada de renda e postou nas redes. Está magra, mas forte, com músculos definidos.

Depois da entrevista, acaba confessando o segredo: fez 40 dias de jejum intermitente para viver Helena, a protagonista de "Pequenas Criaturas". Comia uma refeição ao dia, à noite, e segurava a fome no resto do tempo com água com sal, para não cair a pressão.

O longa, que entra em cartaz nesta quinta, se passa em 1986 e segue Helena e seus dois filhos durante os primeiros dias da família em Brasília, para onde se mudam graças ao trabalho do marido, papel de Michel Melamed. Eles acabam de se instalar e o pai sai para uma viagem de negócios sem data certa de retorno.

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Quase sem diálogos, o filme acompanha Helena e seus dois filhos, André, jovem interpretado por Théo Medon, vivendo descobertas, como o primeiro amor, e o caçula, Dudu, papel de Lorenzo Mello, de oito anos, que ainda tem o olhar peculiar de uma criança a quem não se explica muito.

Helena descobre que o marido esconde detalhes da viagem e mergulha numa espiral de solidão e desamparo. Rodado em Brasília e dirigido por Anne Pinheiro Guimarães —que estreou na direção de longas em 2022 com "Transe", codirigido com Carolina Jabor—, "Pequenas Criaturas" propõe uma reflexão sobre as mudanças inesperadas da vida e seus efeitos nos três integrantes de uma família marcada pela desconexão.

"Logo no começo da história, a Helena toma uma rasteira e engole seco, vai para dentro de si, numa viagem muito particular, muito solitária", afirma Dieckmmann. "Eu sempre me dediquei ao drama, meu gênero preferido. Gosto de fazer mulheres com alguma dor. Acho mais interessante."

Ao vivo, Dieckmmann parece mais leve que a sua personagem, muito mais calorosa, bem-humorada e diz ser uma mulher de sorte. Casada desde 2007 com o executivo Tiago Worcman, é mãe de Davi Frota, 27, de seu primeiro casamento, com Marcos Frota, e José Worcman, 18. Teve dois filhos, dois casamentos e um divórcio antes de chegar aos 30.

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"Olho minha trajetória e vejo que todos os limões que passaram pelas minhas mãos viraram limonadas, desde um incêndio na casa de meus pais, quando eu tinha dez anos. O que ficou para mim foi que a gente na vida tem pessoas e não coisas".