Os carros chineses estão observando uma divisão crescente entre os EUA, o México e o Canadá às vésperas do prazo de 1º de julho para renovar o cambaleante pacto de livre comércio da América do Norte, aprofundando uma fissura já aberta pelas tarifas de Donald Trump. Leia mais (06/26/2026 - 16h29)

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26.jun.2026 às 16h29

Ilya Gridneff Kana Inagaki Jude Webber

Toronto (Canadá), Londres e Dublin | Financial Times

Os carros chineses estão observando uma divisão crescente entre os EUA, o México e o Canadá às vésperas do prazo de 1º de julho para renovar o cambaleante pacto de livre comércio da América do Norte, aprofundando uma fissura já aberta pelas tarifas de Donald Trump.

Os EUA são o único grande mercado que os carros chineses ainda não conquistaram e que permanece firmemente fora de alcance. Na prática, Washington os proibiu para combater suspeitas de tecnologia de vigilância, em meio a temores de que os veículos, fortemente subsidiados por Pequim, acabariam com a indústria automobilística norte-americana.

Em contraste, o caso de amor do México com carros chineses baratos o transformou no principal destino de exportação de automóveis de Pequim, e o Canadá está ativamente cortejando investimentos de fabricantes chinesas de veículos elétricos. Para Pequim, isso oferece uma tentadora posição estratégica a partir da qual pode chegar no mercado dos EUA.

"Eles estão se posicionando para que, sempre que o cenário político mudar... estejam prontos para fornecer veículos nesse mercado também", comentou Farid Ahmad, chefe de Soluções para Concessionárias e Fusões e Aquisições, que está trabalhando com empresas chinesas pela expansão no Canadá. "Eles estão batendo no portão [dos EUA]", comentou.

O ex-presidente dos EUA Joe Biden impôs a proibição sobre a entrada de carros chineses nos EUA, mas Trump está sob forte pressão para proteger a indústria automobilística. O CEO da Ford, Jim Farley, alertou recentemente que a concorrência chinesa seria "devastadora" para a manufatura norte-americana.

A abertura do México e do Canadá aos carros chineses inflamou as tensas negociações sobre o USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá), porque ambas as nações precisam manter Trump do seu lado à medida que 1º de julho se aproxima. Sem um acordo para estender o pacto, ele ficaria sujeito a revisões anuais que minariam a certeza de longo prazo que as empresas precisam para construir cadeias de suprimentos sólidas.

O acordo de livre comércio é algo que nem o México nem o Canadá podem se dar ao luxo de abandonar. "Algum setor individual pode descarrilar todo o [USMCA]? O único que vejo com esse potencial é o automotivo", avaliou Juan Carlos Baker, ex-vice-ministro mexicano de comércio exterior.

"Ele representa cerca de 5% do PIB (Produto Interno Bruto) do México —literalmente centenas de milhares de empregos. Então, se você não acertar nisso, estará colocando em risco a economia do México", disse.

Nas últimas três décadas, a América do Norte construiu uma indústria automobilística altamente integrada, com uma cadeia de suprimentos que atravessa os três países. No entanto, as tarifas de Trump tornaram mais barato para os EUA importar alguns veículos do Japão e da Coreia do Sul —em vez do Canadá ou do México.

O Canadá, buscando diversificar suas relações comerciais além de seu vizinho dominador, importou no mês passado seus primeiros veículos elétricos chineses sob um regime de baixas tarifas.

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O governo canadense fechou um acordo com a China no início deste ano para permitir a entrada de 49 mil veículos elétricos chineses no país com uma tarifa de 6,1%, em vez da taxa anterior de 100%. Mais de 2.900 veículos chegaram ao Canadá em maio, e espera-se que as importações anuais subam para 70 mil nos próximos cinco anos.

Com sua base industrial duramente atingida pelas tarifas de Trump, a ministra da Indústria do Canadá, Mélanie Joly, também se reuniu com BYD, Chery, Geely e Shanghai Launch Automotive Technology na China este mês para discutir investimentos como parte de sua tentativa de atrair centenas de bilhões de dólares em comércio fora dos EUA.