A 29 de Novembro entra em vigor a norma Euro 7, que determina o consumo e as emissões dos veículos comercializados na União Europeia. Como o CO2 vai aumentar, em Portugal os preços vão acompanhar.
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Está no ar a "Operação Stop", sempre ao domingo na Rádio Observador, também disponível em podcast. Olá, Alfredo. Bom dia e bem-vindo.
Obrigado, João. Cá estamos.
Cá estamos. Aqui a matar saudades. Já aqui há um ano e pouco tinha feito programa contigo. O Miguel Cordeiro falou comigo e disse assim: "Tens de matar saudades do Alfredo Lavrador." E cá estou eu para mais uma edição da "Operação Stop". Esta semana fica muito marcada pela questão do aumento dos combustíveis. Nós vamos falar também de aumentos, mas relacionados com carros. Há uma nova norma, que aliás, estávamos aqui a falar em off, que já foi falada em 2024, mas que agora vai ser implementada a 29 de novembro, altera os consumos e as emissões dos automóveis à venda nos países da União Europeia. Mas, Alfredo, por que isto entra em vigor agora? Por que agora, neste preciso momento?
A resposta é bastante simples: porque tem que ser.
Esteve a maturar, não foi? Durante algum tempo.
Esteve ali a amadurecer. Deu tempo a que todos os construtores se preparassem para se adaptarem a ela, porque implica alguns investimentos e adaptações, e está finalmente pronta a sair. E vai, como tu disseste, e muito bem, a 29 de novembro, passa a entrar em vigor. Isto é a Euro 7, logo, já houve seis antes. Mas houve muito mais que seis. Por exemplo, a Euro 6 apareceu em 2014, e foi alvo de uma série de revisões. A última foi em janeiro de 2015, há um ano e pouco, que foi batizada, por estranho que pareça, Euro 6d.
Desculpa, 2025. Tens toda a razão.
É que me disseste um ano, eu já estava a fazer contas.
Não, acertei no ano, não acertei foi no ano.
Ou seja, foi homologada e entrou em vigor em 1 de janeiro de 2025, e durou pouco mais de um ano e pouco. E tentou aproximar os valores dos consumos da realidade. E esta Euro 7, que já era esperada há muito, aliás, já devia ter saído, mas vai ajustar mais o tiro. Estas normas visam determinar o consumo. Inicialmente, o consumo era medido em laboratório, nuns testes que basicamente não tinham grande rigor, e era fácil as marcas ludibriarem o sistema de medição. Cada vez é mais difícil e estas vão ser ainda mais complicadas. Mas dizia eu, medem os consumos, a partir daí medem as emissões de CO₂, de NOx, os óxidos de azoto, que é uma coisa muito importante, porque deles dependem os impostos que os carros pagam em países como o nosso. Nós taxamos pela cilindrada e pelo volume de CO₂.
E o que muda em relação às emissões? Por que se espera que estes valores subam consideravelmente? Porque isto é importante, não é, na hora de comprar um novo automóvel.
É, porque os impostos vão aumentar, que o CO₂ vai aumentar, vai. E que isso gera mais impostos, logo aumentam os carros, a menos que os construtores absorvam esse aumento, o que vai depender dos construtores.
Nem todos vão ser simpáticos a esse nível.
Um bocadito. Sabes que depois impõem-se as leis de mercado. Se o mercado for muito concorrencial, quem quiser vender, não pode aumentar muito. Ou nada mesmo. A ideia é que os valores sejam tão corretos quanto possíveis. E agora há um dado, que é possível que alguns dos nossos ouvintes desconheçam, é que há muitos anos a esta parte, todos os carros medem os consumos realizados, eles próprios, e reúnem esses dados e enviam-nos para o construtor, que depois, por sua vez, está obrigado a enviá-los para Bruxelas. Ou seja, neste momento, e há anos a esta parte, estou-te a falar há mais de cinco anos, pelo menos, Bruxelas sabe exatamente quanto é que gasta o teu carro, o meu, o do teu amigo, o da tua vizinha. Sabe tudo. E por saber tudo, não desconhece que há grande discrepância entre os valores anunciados e os valores reais conseguidos no dia a dia. E logo, a ideia é acabar com esse diferencial, ou pelo menos diminuí-lo. E é isso que vai acontecer para evitar abusos, tanto das marcas como, sobretudo, de alguns modelos, pelo tipo de mecânica que têm.
Alfredo, sabemos também que a Euro 7 passa a incluir limitações em relação às emissões provocadas pelos travões e pelos pneus. Em que consistem estas alterações propriamente ditas?
Olha, isso era um outro problema. A partir do momento em que as emissões dos motores a gasolina começaram a descer, os técnicos começaram a se preocupar com o outro tipo de poluição, que não resultante do motor de combustão. E todos nós já vimos as jantes dos nossos carros, às vezes, ao fim de uma viagem, ficam muito sujas, com um pó preto.
Uma fuligem, um pó muito fino. Pois é, esse pó muito fino, que por acaso, na maioria dos casos é cancerígeno, é péssimo para a saúde e é isso que eles querem evitar. A União Europeia sabe que hoje em dia é possível eliminar essa poeira, mesmo que não tenha mais de 10 nanômetros, e logo é isso que eles pretendem. Em relação aos pneus Cada vez que travamos, aceleramos, curvamos, há sempre o resultado da fricção da borracha do pneu pelo asfalto, há milhões de microplásticos que passam para a estrada. Os especialistas calculam que há pelo menos quatro quilos de microplásticos que são libertados por um pneu durante a sua vida útil. Com o vento e a chuva, os microplásticos vão parar aos rios, às barragens, aos oceanos e acabam por ser ingeridos pelos peixes que nós depois vamos comer. Sabes disso? Sabes o quão ridículo é a situação. De maneira que cada vez que estejas a comer uma bela dourada, tu pensa sempre quantas gramas de microplásticos é que esta coisa tem.
Melhor é não pensar, não é, Alfredo?
Ou então talvez aquelas de aquicultura.




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