O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sugeriu ao governo dos Estados Unidos a criação de uma “equipe de transição” antes mesmo de disputar a eleição presidencial. A oferta foi mencionada pelo secretário de Estado Marco Rubio em carta enviada ao parlamentar, segu…

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sugeriu ao governo dos Estados Unidos a criação de uma “equipe de transição” antes mesmo de disputar a eleição presidencial. A oferta foi mencionada pelo secretário de Estado Marco Rubio em carta enviada ao parlamentar, segundo o Valor Econômico.

No documento, Rubio agradece a visita de Flávio Bolsonaro a Washington e a carta em que o senador pediu recuo do governo Donald Trump sobre a proposta de novas tarifas contra produtos brasileiros. O secretário de Estado, porém, não acolheu o apelo do bolsonarista e manteve a pressão comercial sobre o Brasil.

O trecho mais sensível aparece no fim da carta. Rubio registra a “generosa oferta” de Flávio Bolsonaro de “colocar uma equipe de transição à nossa disposição” e acrescenta a ressalva “caso o senhor seja eleito”. A formulação expõe uma promessa sem base no funcionamento da transição presidencial brasileira.

No Brasil, a equipe de transição é prevista para o candidato eleito, não para pré-candidato. A Lei nº 10.609, de 2002, permite ao presidente eleito instituir equipe para obter informações da administração pública federal e preparar os primeiros atos do futuro governo. O mecanismo não prevê estrutura prévia posta à disposição de governo estrangeiro.

Rubio também agradeceu o apoio de Flávio Bolsonaro à decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas sob a legislação estadunidense. Em relação às tarifas, afirmou que seguem as divergências sobre comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.

A carta remeteu Flávio Bolsonaro ao USTR, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos. No mesmo dia 23 de junho, o senador enviou pedido para participar da audiência pública sobre a proposta de tarifa de 25% contra produtos brasileiros, marcada para 6 de julho. No documento apresentado ao órgão, ele se identifica como senador e pré-candidato à Presidência, pede cinco minutos de fala e informa que pretende discursar em inglês.

O resumo do testemunho enviado por Flávio Bolsonaro diz que ele se opõe às tarifas e a qualquer medida contra o Pix. Também sustenta que a sobretaxa poderia beneficiar o governo Lula, ao mesmo tempo em que recairia sobre exportadores brasileiros, importadores estadunidenses, consumidores dos Estados Unidos e a oposição brasileira.

A ofensiva de Flávio Bolsonaro ocorre em meio à reação do Itamaraty, que afirmou que “os traidores da Pátria não conseguirão reescrever a história”. O ministério disse que o tarifaço tem origem em uma tentativa de interferência externa na Justiça brasileira e cobrou pedido de desculpas pelos prejuízos causados ao país.