Talk do evento trouxe reflexão sobre a importância da saúde mental das mulheres e os limites do próprio corpo
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Olhar para as nossas necessidades é um dos pontos mais importantes dentro do processo de autocuidado — e, quando falamos da saúde da mulher, esse ponto se torna ainda mais necessário. Muitas vezes, acabamos negligenciando os sinais que nosso corpo dá e isso pode acabar impactando não apenas o físico, mas, também, o mental.
Esse foi o fio condutor de uma das mesas da Casa Clã Mama 2026. Com o tema Corpo em movimento, mente em equilíbrio, as convidadas Lucia Rossato, Carla Di Pierro e Cleo Pires compartilharam diferentes visões e experiências envolvendo a saúde mental, os limites do próprio corpo e o desafio constante de tentar desacelerar.
Carla Di Pierro, psicóloga do Comitê Olímpico do Brasil, abre a conversa considerando que, se um psiquiatra não te recomenda exercícios físicos como parte do tratamento, tem algo de errado. Para além disso, é importante que sempre sigamos por um caminho prazeroso ao nos exercitarmos.
“A gente precisa considerar que o movimento é remédio […] Melhor ainda se a gente estiver sentindo prazer e competência ao se exercitar”.
Em paralelo, Lucia Rossato, CEO da Medley, conta que percebeu que cuidar de si mesma era importante, tanto para o próprio bem-estar quanto para conseguir cuidar das outras pessoas.
“Como mulher, cuidar da gente é a maior demonstração de respeito que podemos ter com nós mesmas, e também com as pessoas que amamos e estão ao nosso redor.”
Nos tempos atuais, com todos tão conectados e sobrecarregados, às vezes, tudo o que podemos fazer é desacelerar e se afastar do que drena nossa energia, como reflete Cleo Pires. Para a atriz, a solução foi se conectar com a natureza, dividindo o tempo entre o sítio e a cidade grande. Essa conexão, segundo ela, foi fundamental para respeitar seus limites.
“Quando comecei a olhar para mim e entender que eu estava me sentindo muito desregulada, percebi que ficava diferente quando ia para o sítio. Pensei: ‘por que que eu não tô passando a maior parte do meu tempo aqui mesmo?’. Eu não precisava ficar na cidade o tempo inteiro”.
Ao longo da vida, acabamos passando por muitas transformações, e isso consequentemente faz com que descubramos outras versões dentro de nós mesmas. Nesses momentos, podemos criar resistência, seja com aquilo que é novo ou com a teimosia de querer manter aquilo que já deveríamos ter soltado.
Carla afirma que, dentro de sua experiência com a menopausa, ela entendeu que não deveria resistir às mudanças do próprio corpo, e sim aceitá-las para aprender.
“O que eu estou aprendendo com a menopausa é me permitir e aceitar […] Aceitar que você está na menopausa, que seu corpo mudou e que está tudo bem. É uma nova fase, um novo ciclo. E um ciclo de sabedoria.”
Saber olhar para si mesma e ter a convicção de quem você é pode se tornar um desafio, principalmente quando os olhos do público podem estar voltados para você. Isso é o que o ofício de Cleo Pires acaba trazendo: um exercício constante de aceitar as transformações sem escutar os outros, ou até mesmo aquela voz interior que insiste em se autocriticar. A artista explica que, através de um conselho de sua mãe, entendeu que devemos nos bastar.
“Se eu sou a única pessoa que tenho, é melhor que eu goste de mim […] Porque senão vai ser complicado isso […] Eu realmente sinto que, em vários momentos da minha vida, tive dificuldades de enfrentar isso: o aprendizado de gostar de mim, olhar para mim e me validar”.
Já para Lucia, nossa vida está inteiramente conectada com o lado pessoal e profissional, e às vezes, a melhor opção é deixar que as coisas cheguem com naturalidade. Ao falar de sua relação com a filha, ela destaca como é importante se mostrar vulnerável, e como isso pode ser importante para o desenvolvimento de uma mulher independente.
“Eu quero que a Ju [filha de Lucia] seja uma mulher empoderada, então é importante que ela também veja a mãe ser vulnerável”.
Outro tópico que permeou a conversa foi o questionamento sobre a necessidade de estar mais presente em nossas próprias vidas. Para Cleo, quando nos sentimos estagnadas e sentimos falta de movimento, devemos parar de nos julgar, porque isso faz com que sigamos na direção oposta ao que queremos.
“Acho que a primeira coisa é aceitar, parar de julgar e de dar tiro no pé e pensar qual a primeira pequena vitória que eu posso ter.”
Já para Lucia, é necessário transformar nosso objetivos em pequenas etapas. Utilizando a lógica do seu trabalho no ambiente corporativo, ela afirma que uma empresa não sobrevive se não dividir as metas em etapas, e isso vale para todas as áreas da vida. “A gente só consegue ser bem-sucedido assim, e esquecemos de fazer isso na vida”.
Se encaminhando para o final da conversa, Carla di Perro convida a plateia para uma reflexão sobre autoconfiança. Muitas vezes, ficamos receosas de fazer perguntas e expor nossas opiniões, e isso pode transparecer uma autocrítica. Nessa linha de pensamento, ela reforça que são em espaços como a Casa Clã que podemos nos fortalecer e discutir um tema importante.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário