Alvo de operação da PF, o senador Jaques Wagner é pressionado a deixar a liderança do governo para evitar impactos sobre campanha de Lula
A operação da Polícia Federal (PF) contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), abriu uma nova crise em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a menos de dois meses para o início da campanha eleitoral.
Uma ala do governo e do PT defende a saída do senador da liderança como forma de estancar a crise e distanciar o petista do escândalo do Master — que, até então, não havia chegado ao Planalto.
Agora, o cenário é outro. Se antes o presidente surfava na onda das revelações da relação entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o banqueiro Daniel Vorcaro, o temor atualmente é que o suposto envolvimento de Jaques no caso Master impacte a campanha de reeleição.
A avaliação entre petistas é de que a ação da PF dará munição à oposição. Além disso, há o receio de que a manutenção do senador no cargo enfraqueça o discurso do governo de combate ao crime organizado. Aliados costumam bater na tecla que foi a atual gestão que desmantelou os esquemas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do caso Master.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles O líder, no entanto, resiste a deixar cargo. Em entrevista após a operação, na última quinta-feira (18/6), Jaques afirmou que seguirá na posição e manterá a pré-candidatura ao Senado nas eleições. Ele também disse ter o recebido o apoio de Lula.
O chefe do Planalto, por sua vez, não falou publicamente sobre o caso. Em uma agenda em Minas Gerais nessa sexta, ele fez um sinal de positivo com o polegar para cima ao ser questionado se o senador segue na liderança do governo.
Senador Jaques Wagner tem dito que governo tem "outras prioridades"
Presidente Lula e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner
Edinho Silva, presidente do PT
Enquanto o presidente não define o destino de Jaques, a oposição aproveita o caso para devolver o desgaste à campanha do petista. O senador Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula na disputa ao Planalto, publicou um vídeo associando o petista ao escândalo. “Lula é Master e Master é Lula”, escreveu o político.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse que “Vorcaro começou tudo com o PT da Bahia”. “Mas a tática deles é sempre a mesma: tentar enlamear os outros com a própria lama. Onde tem PT, tem corrupção com dinheiro público”, acusou.
Publicamente, o PT tem manifestado apoio e “confiança” em Jaques Wagner. O presidente do PT, Edinho Silva (PT-SP), disse crer que o líder “esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”.
Como mostrou o Metrópoles, apesar do possível desgaste à campanha, o partido pretende insistir na tática de associar Flávio a Vorcaro. Ao mesmo tempo, tentará dissociar o presidente Lula de Wagner, sob o argumento de que o senador disputa uma vaga ao Senado, e não ao Palácio do Planalto.

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