Prisões nos EUA têm condições deploráveis, diz prefeito detido pelo ICE

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O prefeito democrata Ras Baraka, 56, é um dos protagonistas do debate crescente sobre as condições dentro das prisões para onde são levados os dezenas de milhares de imigrantes detidos pelo ICE, a polícia migratória dos Estados Unidos.

Balanço mais recente divulgado pela agência mostra que quase 50 mil pessoas foram detidas pelo ICE em julho, o maior total mensal durante todo o segundo mandato do presidente Donald Trump, que faz das prisões e de deportações de migrantes um esteio de seu governo.

A cidade que Baraka governa, Newark, a maior do estado de Nova Jersey, com 323 mil habitantes, sedia o maior centro de detenção de imigrantes na Costa Leste do país, o Delaney Hall. O espaço ganhou essa finalidade em maio de 2025 e é operado por um grupo privado.

Neste ano, uma série de protestos foi organizada para criticar as condições sanitárias na prisão. No começo deste mês, um imigrante de El Salvador morreu no local. Ao todo, 56 imigrantes morreram em prisões desde que Trump assumiu este segundo mandato.

Baraka, em seu quarto mandato na Prefeitura de Newark e com ambições de se tornar o primeiro governador negro de Nova Jersey, criticou a situação e exigiu que sua equipe pudesse inspecionar o local. Teve seus pedidos negados.

Em maio passado, quando discursava nos arredores do Delaney Hall e pedia para acessar o espaço, foi preso pelo ICE e acusado de invasão de propriedade privada. Ficou horas detido, em um caso inédito de prisão de uma autoridade que buscava fiscalizar um espaço administrado pelo ICE em sua própria jurisdição.

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Também neste ano, com uma ordem executiva, ele restringiu as ações de fiscalização da polícia migratória na cidade: determinou que agentes do ICE só poderiam entrar em edifícios públicos e fazer operações caso tivessem um mandado judicial. Na ocasião, declarou: "O ICE não pode usar nosso espaço para realizar operações que promovam a captura e detenção de outros seres humanos, porque nenhum ser humano é ilegal. Não somos caçadores de escravos."

Baraka recebeu a reportagem no salão de conferências da Prefeitura de Newark para uma conversa sobre a política migratória americana. Nova Jersey é lar de uma das maiores comunidades brasileiras nos EUA, e Newark é a principal cidade onde vivem esses imigrantes. Diante da atual política migratória no país, eles relatam medo.

Qual é a sua avaliação sobre a agenda migratória de Trump? Não acredito que ele tenha uma agenda de imigração. Não existe, há muito tempo, um caminho coerente e ágil para a obtenção de cidadania nos EUA, e a situação está piorando em vez de melhorar.

Não há nenhuma votação em que eles [os republicanos] tenham chegado a um acordo sobre um pacote legislativo, nada que ajudaria a melhorar a situação. A única coisa que está acontecendo é o aumento da xenofobia. As pessoas estão ficando cada vez com mais medo, atacando imigrantes, principalmente imigrantes não brancos, e a resposta para isso tem sido apenas deportar, deportar, deportar, deportar e criminalizá-los.

Que tipo de agenda de imigração seria, então, necessária? Precisamos apenas de um caminho claro com etapas. Isso é o que você faz primeiro, segundo, terceiro. O que ocorre agora é que as pessoas estão chegando aqui esperando por audiências [para seus pedidos de asilo], esperando pelo processo, e às vezes leva seis, sete, oito anos para passar por esse processo. O que realmente as prejudica agora, porque o governo vai atrás delas. Eles estão prendendo pessoas no meio de suas audiências judiciais.

Este não é um processo justo ou transparente, não existe nada que diga: enquanto estou no meu processo de pedido de asilo, não posso ser deportado, não posso ser preso, se não cometi nenhum crime. Isso é um problema.

As condições nos centros de detenção, como o Delaney Hall, atendem às normas humanitárias na sua avaliação? Houve uma carta assinada por 300 detentos que falaram sobre a comida ser ruim, insuficiente, com vermes, falaram sobre não ter acesso a cuidados médicos adequados, receber o medicamento errado. Houve uma morte lá, houve uma mulher que teve um aborto espontâneo. As condições lá são deploráveis, segundo nossa delegação, membros do Congresso, assim como os detentos.