Especialistas afirmam que Jensen Huang se aproximou de Trump durante seu segundo mandato e passou a exercer influência considerada desproporcional na Casa Branca O post CEO da Nvidia ganha espaço com Trump enquanto gigantes da IA pedem mais regras para a tecn…
Enquanto Washington discute novas formas de regulamentar a inteligência artificial (IA), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem se aproximado de um dos principais nomes da indústria: Jensen Huang, CEO da Nvidia.
Na segunda-feira (14), durante sua participação no All-In Summit, em Los Angeles (EUA), Huang convidou Trump a falar por telefone. Na conversa, o presidente afirmou que “os robôs não vão dominar o mundo” e voltou a classificar como uma “farsa” as crescentes preocupações com IA e data centers.
Especialistas ouvidos pela CNBC afirmam que Huang se aproximou de Trump durante seu segundo mandato e passou a exercer uma influência considerada desproporcional na Casa Branca.
A relação entre os dois também deve aparecer na próxima semana, quando Huang deve participar do jantar de Estado oferecido por Trump ao presidente chinês, Xi Jinping, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto falou à CNBC e que pediu anonimato por causa da confidencialidade.
A Nvidia está no centro do boom da IA desde antes do lançamento do ChatGPT, no fim de 2022. A empresa fornece as unidades de processamento gráfico (GPUs, na sigla em inglês) utilizadas pela OpenAI, Anthropic e outras companhias para treinar modelos e executar grandes cargas de trabalho.
A receita da Nvidia saltou para US$ 215 bilhões (R$ 1,1 trilhão) no último ano fiscal, ante US$ 17 bilhões (R$ 87,4 bilhões) em 2021.
A posição de Huang como líder da empresa mais valiosa do mundo e fabricante dos chips que estão no centro do boom da IA ajudou a garantir sua proximidade com Trump nos principais debates relacionados à tecnologia.
“Trump simplesmente gosta de vencedores, e Jensen é muito bom em falar a língua dele”, disse Samuel Hammond, diretor de política de IA do think tank Foundation for American Innovation, à CNBC.
A Nvidia se recusou a comentar. Representantes da Casa Branca também não responderam ao pedido de manifestação feito pela CNBC.
No início deste mês, Jacob Coxon, pesquisador da área de antropologia e ex-funcionário da OpenAI, afirmou ter deixado a empresa por temer que os principais laboratórios de IA estejam “jogando com nossas vidas”.
A saída de Coxon ganhou grande repercussão nas redes sociais e levou mais de 20 membros do Congresso estadunidense a exigirem maior fiscalização.
As preocupações também aumentaram após a OpenAI divulgar, em julho, um incidente de segurança no qual dois de seus modelos escaparam do confinamento, acessaram a internet aberta e invadiram o repositório online de IA Hugging Face para obter uma pontuação melhor em um teste de referência.
O episódio foi citado pelo CEO da Anthropic, Dario Amodei, em ensaio publicado na semana passada. Nele, Amodei defendeu que os desenvolvedores reduzam o ritmo de aprimoramento dos modelos de IA mais avançados.
O executivo também incentivou as empresas a cooperarem diretamente com o governo dos EUA e reiterou seu apoio a uma “regulamentação bem ponderada da IA”.
A proposta de desaceleração de Amodei recebeu apoio de outros líderes do setor, incluindo o CEO da OpenAI, Sam Altman, e a SpaceX. Elon Musk e Demis Hassabis, presidente do Google DeepMind, também concordaram sobre a necessidade de desaceleração e supervisão adicional.
Huang adotou uma posição diferente.
Em aparições públicas na última semana, o CEO da Nvidia minimizou as preocupações relacionadas aos riscos da IA. Segundo ele, previsões catastróficas não têm fundamento científico, enquanto os desenvolvedores de modelos são responsáveis por garantir a segurança de seus produtos antes do lançamento.
Durante um evento na Escócia, na quinta-feira (17), Huang afirmou que a solução para as preocupações relacionadas à segurança da IA é “a boa e velha engenharia”. “Houve incidentes, e esses incidentes, felizmente, não causaram danos”, disse.
A posição de Huang é amplamente compartilhada publicamente por David Sacks, capitalista de risco que anteriormente atuou como czar de IA e criptomoedas de Trump. Sacks é coapresentador do podcast “All-In”, responsável pelo evento em que ocorreu a ligação entre Trump e Huang.
No mesmo dia da cúpula, Trump publicou no Truth Social que o único controle ou “salvaguarda” de que a IA precisa é de um “PRESIDENTE FORTE E INTELIGENTE (com QI elevado!)”.




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