Numa cidade acostumada à pressa, desacelerar começa a virar uma escolha. Não se trata apenas de encontrar um novo hobby, mas de recuperar um tempo que parecia perdido entre telas, notificações e compromissos: algumas horas para fazer algo com as próprias mãos, prestar atenção no próprio corpo, aprender, criar ou simplesmente estar. Na Zona Sul, essa vontade de sair do automático vem dando forma a uma nova maneira de ocupar o tempo livre, com experiências que valorizam pre
Numa cidade acostumada à pressa, desacelerar começa a virar uma escolha. Não se trata apenas de encontrar um novo hobby, mas de recuperar um tempo que parecia perdido entre telas, notificações e compromissos: algumas horas para fazer algo com as próprias mãos, prestar atenção no próprio corpo, aprender, criar ou simplesmente estar. Na Zona Sul, essa vontade de sair do automático vem dando forma a uma nova maneira de ocupar o tempo livre, com experiências que valorizam presença, concentração e encontro.
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Foi observando o corpo moderno perder repertório de movimento que o bailarino e fisioterapeuta Rodrigo Fernandes criou, em Copacabana, o método Vértico Kinesis. Ao longo de mais de 20 anos trabalhando entre a dança e a fisioterapia, ele passou a perceber um padrão recorrente entre os alunos: pessoas que caminhavam, treinavam e trabalhavam normalmente, mas já não conseguiam realizar movimentos que antes faziam sem pensar.
— A perda de mobilidade não chega como um evento. Ela se instala devagar, num acúmulo de escolhas pequenas e repetidas, a cadeira em vez do chão, o carro em vez da caminhada, a tela em vez do corredor do prédio — destaca Fernandes.
No Espaço Vértico, as aulas fogem de protocolos fixos. Bolinhas de tênis, bastões, tecidos, rolos de EVA e outros objetos entram em cena para provocar novos estímulos no sistema nervoso e ampliar a percepção corporal.
— Quando o corpo percebe que não existe ameaça, a musculatura começa a liberar tensões que estavam ali há anos — diz.
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Para Fernandes, o resultado mais importante não aparece necessariamente primeiro na estrutura física.
— O que vejo com mais consistência é a pessoa reconhecendo potencialidades que desconhecia em si mesma, saindo de um estado de alerta permanente e passando a confiar no próprio corpo — conta.
A proposta parte da ideia de devolver ao corpo um repertório de movimentos que costuma se perder ao longo da vida. Agachar, girar, apoiar o peso nos braços, levantar do chão ou mudar de posição são gestos que a rotina adulta tende a restringir. Nas aulas de mobilidade e função, a sequência muda a cada encontro para evitar que o movimento vire automatismo.
A mesma busca por um corpo que funcione melhor ajuda a explicar outra mudança visível na cidade com a expansão do pilates. Durante anos associado principalmente à reabilitação, o método passou a ocupar espaço nas academias pelo fato de combinar fortalecimento, mobilidade, flexibilidade, equilíbrio, postura e consciência corporal com baixo impacto nas articulações.
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Na Bodytech, o Pilates Reformer está disponível nas unidades de Copacabana, Leblon e Gávea. As aulas coletivas têm 50 minutos e utilizam o equipamento formado por molas, alças e carrinho deslizante, que permite adaptar a intensidade a diferentes níveis de condicionamento.
— O sucesso do Pilates Reformer está diretamente ligado a uma mudança de mentalidade. As pessoas estão cada vez mais preocupadas em investir em qualidade de vida, prevenção e longevidade. O método oferece um trabalho completo, que fortalece a musculatura, melhora a mobilidade e contribui para o bem-estar físico e mental, respeitando os limites e as necessidades de cada aluno — explica Gabriela Marquez, professora da unidade da Gávea.
Para Daniel Guimarães, gerente nacional de Atividades Coletivas da Bodytech, a procura também reflete uma mudança na relação com as academias.
— O Pilates Reformer reúne características que o consumidor busca cada vez mais dentro das academias, uma experiência diferenciada, acompanhamento próximo e um trabalho que combina força, mobilidade e controle corporal — diz.
A experiência também conquistou quem não se adaptava ao treino convencional.
— Eu comecei a fazer Reformer Pilates porque queria uma atividade que trabalhasse o corpo de uma maneira mais completa, mas sem ser tão pesada para as articulações. Para mim, fez diferença principalmente na questão da força e da estabilidade. Sinto que tenho mais consciência do meu corpo e dos movimentos — conta Ana Paula Rocha, aluna da unidade de Copacabana.
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Na The Simple Gym, o pilates também ganhou uma metodologia própria e está disponível nas unidades de Gávea, Ipanema e Botafogo. A experiência é dividida entre duas propostas. A Sweat aposta em força, resistência e intensidade. A Mind trabalha alongamento, mobilidade e respiração e termina com meditação guiada.



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