Martin Odegaard é o jogador mais criativo da seleção da Noruega, rival do Brasil às 17h (horário de Brasília) de domingo (5), pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Só que antes de ser o camisa 10 de uma das seleções mais celebradas do Mundial, o nor
Martin Odegaard é o jogador mais criativo da seleção da Noruega, rival do Brasil às 17h (horário de Brasília) de domingo (5), pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Só que antes de ser o camisa 10 de uma das seleções mais celebradas do Mundial, o norueguês de 27 anos sofreu para jogar no Real Madrid de Carlo Ancelotti —uma sensação que, anos depois, Endrick também viveria.
Mas, para contar essa história, é preciso voltar mais de uma década no tempo.
Nos primeiros meses de 2015, havia uma cena comum nas entrevistas coletivas de Carlo Ancelotti, então técnico do Real Madrid. Em meio a perguntas sobre Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, a rivalidade com o Barcelona ou detalhes de jogos da Champions League, um jornalista, desconhecido dos demais colegas, pedia a palavra.
A pergunta, em inglês, era sempre parecida: "Martin Odegaard vai jogar?" A questão se repetia a cada uma ou duas semanas e era feita por diferentes profissionais, que iam a Madri para acompanhar —ou pelo menos tentar acompanhar— a trajetória do jogador norueguês no clube mais vencedor da Europa.
Odegaard, na época, tinha acabado de completar 17 anos e era considerado um fenômeno mundial nas categorias de base. Aos 15, ele havia marcado cinco gols e dado seis assistências em 24 partidas pelo Stromsgodset, na primeira divisão da Noruega.
As respostas de Ancelotti às perguntas da imprensa norueguesa eram curtas e negativas. Com o passar dos meses, os jornalistas entenderam o recado e foram deixando de aparecer nas entrevistas.
Em sua primeira temporada, Odegaard disputou apenas uma partida pelo time principal: ele entrou aos 13 minutos do segundo tempo de um Real Madrid 7 x 3 Getafe, pela última rodada do Campeonato Espanhol.
Em seu livro "Liderança Tranquila", o italiano fala sobre o contexto em que a contratação foi feita. "Quando o Florentino compra um jogador norueguês, você simplesmente tem de aceitar. Além disso, o presidente decidiu que ele disputaria três jogos pelo time principal como uma ação de marketing. Ele pode vir a ser o melhor jogador do mundo, mas isso não me importa, porque não era um jogador que eu havia pedido. Aquela contratação teve a ver com relações públicas."
A saída de Ancelotti ao final daquela temporada não mudou o cenário. Rafa Benítez, o substituto do italiano, nunca escalou Odegaard nos cinco meses em que esteve no cargo.
Zinedine Zidane, que chegou em janeiro de 2016, deu uma chance ao prodígio norueguês: uma partida completa da primeira fase da Copa do Rei, contra a Cultural Leonesa, em novembro daquele ano. O Real venceu por 6 a 1, num jogo famoso pela estreia e primeiro gol de Enzo Zidane, filho do treinador, que nunca mais vestiu a camisa do clube.
A falta de oportunidades no Real Madrid levou Odegaard a procurar uma porta de saída. Como ele tinha contrato com o clube até junho de 2021, a solução foi negociar um empréstimo. Assim, começaram anos de peregrinação para o norueguês.
Odegaard passou uma temporada e meia no Heerenveen, da Holanda; depois, mais uma no Vitesse, do mesmo país, onde se destacou e chamou a atenção de clubes maiores. Em 2019, a Real Sociedad acenou com a possibilidade de recolocar Odegaard na vitrine da Liga Espanhola.
No País Basco, o ainda jovem meio-campista deu um salto de qualidade. Na temporada de volta à Espanha, marcou sete gols e deu nove assistências em 36 jogos. Quando o período de empréstimo acabou, ele voltou ao Real Madrid, em julho de 2020.
E o técnico era, de novo, Carlo Ancelotti.
A passagem durou apenas 9 jogos, em pouco mais de seis meses. Questionado sobre a falta de oportunidades ao norueguês, Ancelotti atribuiu as poucas chances à concorrência no elenco e abriu as portas para sua saída. "Eu falei pra ele que temos oito jogadores concorrendo por uma posição", explicou o italiano.
A situação era parecida com a que Endrick viveu no clube espanhol —durante a primeira temporada, em 2024-25, com Ancelotti; e depois nos seis primeiros meses de 2025-26, sob o comando de Xabi Alonso.
Odegaard acabou pedindo para ser emprestado novamente e foi parar no Arsenal. Depois de seis meses, o clube inglês decidiu comprá-lo, pagando 40 milhões de euros. Desde então, ele se tornou referência no meio-campo do atual campeão da Premier League. Até hoje, são 243 partidas, com 42 gols e 43 assistências.
Na seleção, o meio-campista também construiu uma trajetória sólida, mesmo quando não jogava no Real Madrid. Desde a estreia na equipe principal, aos 15 anos, já fora 71 partiidas, com cinco gols e 21 assistências.
Faltava uma grande competição, e a participação na Copa do Mundo preenche esta lacuna no currículo. Até agora, ele já deu três assistências em três jogos. No domingo, terá o maior desafio da carreira: diante do Brasil, o maior campeão da história do torneio.
E de Ancelotti, o treinador que não quis dar a ele uma chance no Real Madrid.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário