No Dia do Sommelier, especialistas explicam como explorar diferentes estilos da bebida e mostram por que as borbulhas estão conquistando o consumidor brasileiro

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Por muito tempo, abrir uma garrafa de champanhe esteve quase sempre associado a uma ocasião especial.

Casamentos, aniversários, réveillons e grandes comemorações ajudaram a construir a imagem da bebida como sinônimo de celebração. Mas esse cenário vem mudando.

Mais curiosos e atentos ao que colocam na taça, os consumidores brasileiros passaram a explorar diferentes estilos, produtores e formas de consumo — e o champanhe começa a ganhar espaço também à mesa.

“Champanhe é um vinho extraordinariamente gastronômico e pode acompanhar uma refeição inteira”, afirma Gabriela Bigarelli, sommelière consultora de vinhos e serviços da Casa do Porco.

Para ela, parte desse processo passa justamente por entender que a categoria não se resume a um único perfil. “Eu sempre digo que o primeiro passo é entender que champanhe não é uma coisa só. Existem estilos muito diferentes, e descobrir essas diferenças faz parte da experiência.”

Para quem está começando, uma das maneiras de ampliar esse repertório é prestar atenção às uvas e aos estilos. Chardonnay, Pinot Noir e Meunier podem aparecer em diferentes proporções e influenciar diretamente as características do vinho.

Diana Oliveira, sommelière do Terraço Itália, recomenda começar pelo Brut, mais seco e versátil, e depois explorar outras possibilidades.

“Também vale a pena notar se é um ‘Blanc de Blancs’ (feito apenas com uvas brancas Chardonnay, tendendo a ser mais fresco e elegante) ou um ‘Blanc de Noirs’ (com uvas tintas como Pinot Noir, entregando mais estrutura). O segredo é começar pelos estilos clássicos e ir descobrindo o que mais agrada ao seu próprio paladar.”

Marcela Celeguim, sommelière do Palácio Tangará, segue uma lógica semelhante. “Em um primeiro momento, acho interessante começar com champanhes mais leves e delicados. Depois, aos poucos, passar para estilos mais complexos e robustos.”

A ideia é provar diferentes estilos e, aos poucos, entender quais deles mais agradam ao próprio paladar, sem se prender aos rótulos mais famosos ou caros.

“Champanhe é um universo muito amplo, e acho interessante descobrir essas diferentes expressões gradualmente, entendendo também o que mais agrada ao seu paladar”, explica Marcela.

Embora a flute tradicional valorize visualmente as borbulhas, seu formato estreito pode limitar a percepção dos aromas. Por isso, as profissionais apontam para modelos com maior abertura, como taças de vinho branco ou formatos próprios para champanhe.

“A taça também é importante. A flute tradicional é bonita e valoriza visualmente as borbulhas, mas seu formato muito estreito limita a expressão aromática”, explica Gabriela.

Para ela, uma taça de vinho branco ou uma própria para champanhe, com bojo um pouco mais amplo e abertura mais fechada, permite que os aromas se desenvolvam melhor.

Diana também recomenda uma taça mais aberta. “A taça mais bojuda permite que o champanhe respire, liberando seus aromas de forma muito mais intensa e agradável.”

Marcela concorda que a flute vem perdendo espaço justamente por essa limitação. “Uma boa taça de vinho branco funciona muito bem, principalmente para champanhes mais complexos.”

A temperatura é outro detalhe que merece atenção. Servir o vinho excessivamente gelado pode fazer com que aromas e sabores fiquem menos perceptíveis.

Como referência, Gabriela indica entre 8 e 10 °C para champanhes mais jovens e entre 10 e 12 °C para aqueles mais complexos, safrados ou envelhecidos.

“Quando o champanhe está gelado demais, nós diminuímos nossa percepção dos aromas e sabores. Por outro lado, se estiver quente demais, ele pode perder parte da sensação de frescor e equilíbrio.”