O ChatGPT entra em campo antes de Brasil e Escócia. Questionado repetidamente sobre o jogo desta quarta-feira (24), às 19h (horário de Brasília), em Miami, o sistema da OpenAI costuma apontar uma vitória brasileira. O placar que aparece primeiro com ma

O ChatGPT entra em campo antes de Brasil e Escócia. Questionado repetidamente sobre o jogo desta quarta-feira (24), às 19h (horário de Brasília), em Miami, o sistema da OpenAI costuma apontar uma vitória brasileira. O placar que aparece primeiro com maior frequência é 2 a 0 para o Brasil. Vinícius Júnior lidera com folga a lista de possíveis autores de gol.

Os dados fazem parte de um estudo da empresa brasileira Ranqia sobre o comportamento das respostas geradas pelo ChatGPT. O trabalho não tenta calcular diretamente a probabilidade esportiva do resultado. Seu objetivo é medir o que a inteligência artificial costuma responder quando recebe a mesma pergunta diversas vezes.

Isso é relevante porque o ChatGPT não funciona como uma calculadora que sempre devolve o mesmo número. Como é generativo, cada resposta pode reorganizar argumentos, selecionar outras fontes e atribuir pesos diferentes às informações encontradas. Quando a busca está ativa, o serviço pode consultar páginas recentes e apresentar links para as fontes utilizadas, segundo a OpenAI.

No levantamento, o 2 a 1 foi o placar mais presente nas respostas do ChatGPT e apareceu em 94% delas. Isso não significa, porém, que tenha sido o principal palpite. Quando o sistema precisou ordenar os cenários, colocou o 2 a 0 em primeiro lugar em 65% das respostas. O 2 a 0 é a previsão prioritária, enquanto o 2 a 1 é apenas o cenário citado com maior frequência, tendo sido o primeiro palpite em somente 13,3%.

O empate por 1 a 1 é o dado menos intuitivo. Embora não seja o cenário mais citado, ele aparece como primeira sugestão em 20,7% das respostas, à frente do 2 a 1, com 13,3%. O resultado mostra que o ChatGPT alterna entre duas leituras. Na primeira, a superioridade brasileira é suficiente para controlar o jogo. Na segunda, a partida fica mais travada, com a Escócia limitando o ataque do Brasil.

A partida encerra a campanha das duas seleções no Grupo C. O Brasil chega com quatro pontos, após empatar por 1 a 1 com o Marrocos e vencer o Haiti por 3 a 0. A equipe lidera pelo saldo de gols, à frente dos marroquinos, também com quatro pontos. A Escócia tem três e ainda disputa a classificação.

A situação do elenco também mostra por que uma previsão de inteligência artificial envelhece rapidamente. No estudo, Raphinha aparece em 79% das listas de prováveis goleadores. O atacante, entretanto, está fora da partida por uma lesão na coxa direita. Neymar, citado em 58% das respostas, treinou sem restrições nos últimos dias e pode ser relacionado pela primeira vez nesta Copa.

A Ranqia explica que a resposta do ChatGPT é uma fotografia das informações disponíveis durante a coleta. Uma contusão, uma alteração na escalação ou uma entrevista do treinador pode mudar as fontes recuperadas e, por consequência, a hierarquia apresentada pelo sistema.

Vinícius Júnior é a exceção mais estável. Ele aparece em 100% das respostas sobre possíveis marcadores e ocupa o primeiro lugar em 81% delas. Matheus Cunha surge como o segundo brasileiro mais forte, presente em 85% das respostas e em primeiro lugar em 15%. O desempenho contra o Haiti reforça essa leitura: Cunha marcou duas vezes, enquanto Vinícius fez o terceiro gol.

Ainda assim, presença não significa necessariamente probabilidade. Scott McTominay, da Escócia, aparece em 98% das respostas, quase tanto quanto Vinícius, mas nunca como o primeiro nome. Sua posição média é apenas a sexta. O dado sugere que o ChatGPT costuma incluí-lo para representar a principal ameaça escocesa, e não porque o considere tão provável de marcar quanto o atacante brasileiro.

O aspecto mais revelador do estudo está nas fontes. O Reddit lidera o peso relativo das citações, com 15%, seguido pela CNN Brasil, com 14%. Sites dedicados a prognósticos respondem por pouco mais de um quarto das citações. A Fifa, embora apareça em 52% das execuções, responde por somente 6,5% do total.

Isso ajuda a entender como a autoridade de uma resposta de IA é construída. O modelo não consulta uma base única e oficialmente reconhecida. Ele combina notícias, páginas institucionais, análises esportivas, conteúdos de comunidades e textos que já oferecem placares prováveis. As fontes oficiais fornecem fatos, enquanto veículos jornalísticos acrescentam contexto aos fatos, e os fóruns e sites de prognóstico ajudam a formar cenários.

O relatório chama esses domínios de influentes. Os percentuais são um retrato do comportamento observado, não uma medição independente das chances de cada placar.

Para o jogo desta quarta-feira, a conclusão do levantamento é que o Brasil é favorito, a goleada não é o cenário central, e Vinícius é o nome mais associado a um possível gol. O 2 a 0 é a escolha prioritária do ChatGPT. O 2 a 1 é o cenário mais recorrente no conjunto das respostas.

Para a inteligência artificial, a conclusão é menos confortável. O ChatGPT não conhece nenhum resultado futuro. Ele sintetiza o consenso disponível na internet, reorganizado por um sistema probabilístico e generativo. Pode acertar o placar, mas isso não o transforma em oráculo.

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