General Roly Walker diz que cidadãos terão de aceitar custos e mudanças para reforçar a defesa

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18.out.2026 às 11h48

O chefe do Exército britânico, general Sir Roly Walker, afirmou que a população do Reino Unido precisará estar preparada para fazer sacrifícios para reforçar a defesa do país diante do que classificou como um momento de "extremo perigo" no cenário internacional.

Em discurso a cerca de 700 militares na guarnição de Catterick, no norte da Inglaterra, Walker disse que os britânicos terão de aceitar que a preparação para uma eventual guerra exigirá não apenas mais recursos para as Forças Armadas, mas também a participação da sociedade. Segundo ele, líderes políticos deverão em breve iniciar uma "conversa franca" com a população sobre os riscos enfrentados pelo país.

O discurso foi divulgado pelo portal Forces News, especializado nas Forças Armadas britânicas.

"Os cidadãos terão de consentir em sacrifícios para priorizar a defesa e a segurança", afirmou o general. Ele disse ainda que a população precisará entender o papel das Forças Armadas e apoiá-las caso sejam chamadas a combater.

"Nosso país vai precisar de vocês", disse Walker aos soldados. Para ele, o período em que o Reino Unido podia evitar pensar na possibilidade de seus militares serem enviados para uma guerra chegou ao fim. "O negócio de ser soldado está voltando à consciência nacional", afirmou.

A declaração ocorre em meio à pressão para que o governo britânico aumente os gastos militares, diante da guerra da Rússia contra a Ucrânia e de uma avaliação mais ampla de que o país não estaria preparado para um conflito de grande escala. O governo se comprometeu a elevar os gastos com defesa para 3,5% da renda nacional até 2035, ante cerca de 2,6% atualmente.

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A discussão também envolve uma disputa sobre de onde virão os recursos. O ministro da Defesa, Wes Streeting, afirmou recentemente que ampliar o orçamento militar exigirá "escolhas e compensações". Já o governo enfrenta pressão para preencher um buraco de cerca de 5 bilhões de libras no planejamento de investimentos em defesa. O orçamento do governo está previsto para 28 de outubro.

Walker afirmou que a população poderá ser chamada a desempenhar um papel mais direto na preparação para um eventual conflito. "Eles precisarão entender o que está acontecendo no mundo da defesa e da segurança e por que este parece ser um momento muito perigoso", disse.

O alerta ocorre também em um momento de resistência da população a uma possível mobilização militar. Uma pesquisa do Ipsos citada pela imprensa britânica apontou que metade dos britânicos não estaria disposta, em nenhuma circunstância, a lutar pelo país.

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Ao mesmo tempo, mais da metade apoia o aumento dos gastos com defesa. Entre os que defendem o aumento, 37% preferem que o dinheiro seja retirado de outras áreas do orçamento público, enquanto 36% apoiam uma elevação de impostos.

A capacidade das Forças Armadas britânicas também vem sendo questionada. Segundo relatos recentes, o Exército não dispõe de comandantes em número suficiente para operar seus principais tanques de batalha, e exercícios militares foram cancelados por falta de recursos.