O presidente da gigante chinesa do comércio eletrónico JD.com alertou que os cerca de 700 mil estafetas da empresa serão substituídos por robôs "mais cedo ou mais tarde".
As declarações surgem numa altura em que Pequim acelera a aposta na robótica e na inteligência artificial como motores de crescimento económico. O mais recente plano quinquenal chinês, aprovado em março, identifica a robótica como um setor estratégico para a modernização industrial do país.
Responsáveis chineses têm procurado tranquilizar os trabalhadores mais vulneráveis. O ministro dos Recursos Humanos e Segurança Social, Wang Xiaoping, afirmou em março que o Governo está a estudar formas de alargar a cobertura da segurança social aos trabalhadores das plataformas digitais.
Segundo o Centro de Investigação sobre Novas Formas de Emprego da China, o número de trabalhadores temporários ou independentes deverá atingir 320 milhões este ano, face aos 200 milhões registados há cinco anos. Estes trabalhadores representam cerca de 40% do emprego urbano no país. As preocupações com o impacto da automação surgem num contexto de desaceleração do mercado laboral. A taxa de desemprego jovem na China situou-se em 16,3% em abril, segundo dados oficiais.
A organização Human Rights Watch apelou recentemente às autoridades chinesas para reforçarem a proteção dos trabalhadores das plataformas digitais, após a adoção pela Organização Internacional do Trabalho de uma convenção sobre trabalho digno na economia das plataformas, apoiada por Pequim. A JD.com é uma das maiores empresas chinesas de comércio eletrónico, concorrendo com a Alibaba e a Meituan. Fundada por Richard Liu, a empresa estreou-se na bolsa Nasdaq em 2014 e mantém uma cotação secundária em Hong Kong.


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