Detenta sobreviveu a duas tentativas de aplicação de injeção letal e segue hospitalizada em estado de recuperação
Compartilhar matériaOs advogados de Christa Pike — que sobreviveu à tentativa do Tennessee de executá-la por injeção letal na semana passada — comparecerão ao tribunal nesta quarta-feira (7) para tentar preservar provas relevantes relacionadas à sua execução, que falhou duas vezes.
Pike está hospitalizada há quase uma semana após ter recebido duas doses de pentobarbital, supostamente letais, segundo seus advogados.
Na terça-feira (6), a defesa informou que ela finalmente estava consciente e falando, embora continue recebendo cuidados médicos intensivos e tenha sofrido "danos graves" nos braços.
"Sua recuperação não tem precedentes do ponto de vista médico", afirmaram os advogados em um comunicado na noite de terça-feira. "O prognóstico permanece incerto, mas, no mínimo, esperamos uma longa recuperação."
Os advogados de Pike apresentaram a petição de urgência na sexta-feira (2) para garantir a preservação de provas, alegando que o Departamento de Correções do Tennessee impôs a detenta uma “punição cruel e incomum” por meio de sua “indiferença deliberada às necessidades médicas básicas dela e do desrespeito imprudente às práticas médicas fundamentais e ao seu próprio protocolo de injeção letal”.
Uma audiência sobre essa moção está marcada para o meio-dia (horário local) no Tribunal de Chancelaria do Condado de Davidson, em Nashville.
Os responsáveis pela administração da injeção letal tentaram obter acesso intravenoso em Pike utilizando "pelo menos sete agulhas", diz a moção de emergência. "Uma agulha estava dobrada em um ângulo de 90 graus quando foi removida."
Os advogados alertaram o Estado pela primeira vez sobre seu dever de preservar provas à 1h09 da manhã (horário local) de quinta-feira (1º), horas após a execução mal-sucedida de Pike, aponta a moção de emergência.
A equipe jurídica de Pike busca agora preservar provas físicas, escritas e eletrônicas relevantes.
Quando Christa chegou ao hospital na região de Nashville, afirmaram seus advogados na moção, seus braços estavam "inchados, queimados e com bolhas".
O pentobarbital "causa queimaduras ao entrar em contato, inclusive com a pele, tecidos e veias", disseram eles.
Pike foi condenada por homicídio em primeiro grau e sentenciada à morte pelo assassinato brutal, em 1995, de Colleen Slemmer, uma colega de um centro de treinamento profissional.
A Procuradoria-Geral do estado não indicou se tentará executar a pena de morte novamente, disse à CNN no domingo Stephen Ferrell, um dos advogados de Pike.
Os advogados pediram ao governador do Tennessee, Bill Lee, que comute a pena dela para prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Após a execução fracassada de Pike, Lee suspendeu as execuções pelo restante do ano e anunciou, na quinta-feira, que uma entidade externa realizará uma revisão "minuciosa e abrangente" do caso dela.
No sábado (3), Lee também anunciou que o comissário do Departamento de Correções, Frank Strada, deixaria o cargo ainda este mês, em meio à repercussão negativa da execução fracassada de Pike.
A senadora republicana Marsha Blackburn, que concorre para substituir Lee no cargo de governador em janeiro, defendeu o retorno da cadeira elétrica e que se "faça justiça rapidamente para essas vítimas".
“O estado do Tennessee precisa começar a dizer à sua população exatamente o que está fazendo, para que, no processo democrático, o povo do Tennessee possa decidir se é isso que deseja que seja feito em seu nome”, disse Ferrell no domingo (4). “Essa execução torturante deixa tantas perguntas que o estado se recusará a responder.”




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