Ciência busca prolongar a vida do cachorro com terapias, genética e alimentação, mas tratamentos ainda são experimentais. Leia!

Ciência e PetsCiência busca prolongar a vida do cachorro com novas terapias contra o envelhecimentoPor Ana Paula Pickler

Especial para a Gazeta do Povo

Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleCães de grande porte tendem a envelhecer mais rapidamente que os pequenos, e a ciência busca entender os mecanismos por trás dessa diferença. (Foto: Unsplash)Ouça este conteúdo

A busca por formas de prolongar a vida do cachorro deixou de ser apenas uma preocupação dos tutores e passou a despertar o interesse de pesquisadores e empresas de biotecnologia. Estudos recentes tentam entender por que alguns cães envelhecem mais rapidamente que outros e investigam terapias capazes de retardar doenças associadas à idade.

Ainda não existe, porém, um tratamento comprovado capaz de fazer um cão viver muito além de sua expectativa natural.

As pesquisas estão em diferentes estágios, e algumas das estratégias avaliadas sequer foram testadas em larga escala. Por isso, especialistas alertam que aumentar a longevidade não significa necessariamente garantir mais anos de vida com saúde.

Cães entendem a fala humana? Estudo revela como cérebro animal identifica palavras na fala contínuaEstudo de Oxford encontra pistas sobre a origem do vínculo com animais de estimação entre primatasEstudo reconstrói linha do tempo dos gatos domésticos e surpreende cientistasO que a ciência pesquisa para aumentar a longevidade dos cães?Uma das frentes envolve medicamentos. Algumas empresas estudam o reaproveitamento, para cães, de substâncias já aprovadas para uso humano. Outras desenvolvem novos compostos para combater problemas relacionados ao envelhecimento, como a sarcopenia, caracterizada pela perda de massa muscular, e doenças renais.

Também existem pesquisas com terapia genética. A empresa Rejuvenate Bio, por exemplo, trabalha em uma terapia inicialmente voltada à doença da válvula mitral, uma das principais doenças cardíacas dos cães. A expectativa dos pesquisadores é que a mesma tecnologia possa futuramente ser utilizada contra alterações metabólicas e para aumentar a longevidade.

Outra companhia, a Genflow Biosciences, pesquisa uma terapia genética com o objetivo de aumentar a longevidade e reduzir a sarcopenia em cães.

Essas abordagens ainda são experimentais. Ou seja, não há evidências suficientes para afirmar que os tratamentos fazem os cães viverem mais. Para que uma terapia seja considerada segura e eficaz, é necessário demonstrar, em estudos controlados, que seus benefícios superam os riscos e que os resultados são reproduzíveis.

Além dos medicamentos, a alimentação também aparece entre as estratégias estudadas. Formulações com probióticos e outras mudanças na dieta buscam melhorar a saúde dos animais e, potencialmente, ampliar o período de vida saudável.

Enquanto a ciência busca prolongar a vida do cachorro, algumas medidas já conhecidas podem contribuir para que o animal envelheça de maneira mais saudável.

Alimentação adequada, controle do peso, atividade física compatível com a idade e acompanhamento veterinário regular são fundamentais.

O acompanhamento ganha ainda mais importância nos cães idosos, porque doenças cardíacas, renais, articulares e metabólicas tendem a se tornar mais frequentes com o avanço da idade.

A identificação precoce de alterações pode permitir o tratamento antes que elas comprometam de maneira significativa a qualidade de vida.

A busca por formas de prolongar a vida do cachorro envolve pesquisas sobre medicamentos, terapias genéticas, alimentação e qualidade de vida. (Foto: Unsplash)Essa distinção é importante: longevidade não é apenas fazer o animal viver mais anos, mas preservar sua saúde durante esse período.

Um tratamento que aumente a expectativa de vida, mas provoque efeitos adversos ou não melhore o bem-estar, não necessariamente representa um avanço para os animais.

Por isso, medicamentos ou suplementos vendidos com a promessa de retardar o envelhecimento devem ser avaliados com cautela. Tratamentos experimentais não devem ser administrados por conta própria.

A segurança e a eficácia precisam ser comprovadas por pesquisas e, para o uso clínico, pelo acompanhamento e orientação de um médico veterinário.

Uma pesquisa publicada na revista Science analisou 894 cães de cerca de 120 raças e encontrou pistas para explicar uma característica conhecida: cães grandes geralmente vivem menos do que cães pequenos.