Pesquisa descobre 'interruptor secreto' do corpo que desliga inflamações; saiba mais detalhes.

Liderada por pesquisadores da UCL (University College London), uma descoberta pode representar um avanço importante no combate à inflamação crônica. Esta condição está associada a doenças como artrite, problemas cardiovasculares e diabetes.

O estudo, publicado na revista Nature Communications, identificou um mecanismo natural do próprio organismo capaz de limitar a inflamação sem comprometer o funcionamento global do sistema imunológico.

A inflamação é uma resposta essencial contra infecções e lesões. Entretanto, quando não é desligada adequadamente, pode se tornar persistente e contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas. A nova pesquisa mostra que pequenas moléculas derivadas de gordura, chamadas epóxi-oxilipinas, atuam como um verdadeiro freio biológico de resposta imune.

Para compreender o mecanismo em ação, os cientistas realizaram um experimento controlado com voluntários saudáveis. Os voluntários receberam uma pequena injeção de bactérias E. coli inativadas por radiação ultravioleta no antebraço. Isso provocou uma reação inflamatória temporária caracterizada por dor, vermelhidão, calor e inchaço.

Os participantes foram divididos em dois grupos. O primeiro recebeu o medicamento GSK2256294 antes do início da inflamação, em estratégia preventiva. O segundo, por sua vez, recebeu o fármaco quatro horas após o surgimento dos sintomas, simulando uma abordagem terapêutica convencional.

O medicamento atua bloqueando uma enzima chamada epóxido hidrolase solúvel, conhecida como sEH, responsável por degradar as epóxi-oxilipinas no organismo.

Os resultados indicaram que o bloqueio dessa enzima elevou os níveis das moléculas protetoras, reduziu significativamente os monócitos intermediários, um tipo específico de glóbulo branco, no sangue e nos tecidos, e acelerou a resolução da dor.

O tratamento não alterou de maneira relevante os sinais externos da inflamação, como vermelhidão e inchaço. Por isso, os cientistas sugerem que o mecanismo atua de forma mais direcionada na regulação celular do que nos sintomas visíveis.

Testes adicionais mostraram que uma das epóxi-oxilipinas, chamada 12,13-EpOME, atua desligando um sinal proteico conhecido como p38 MAPK, envolvido na transformação dessas células inflamatórias.

Segundo o profissional, o uso de um medicamento já considerado adequado para aplicação em humanos amplia o potencial clínico da descoberta.

O estudo abre caminho para ensaios clínicos com inibidores da enzima sEH em doenças como artrite reumatoide e enfermidades cardiovasculares. Sobre essa possibilidade, Bracken explicou que a estratégia pode ser testada em combinação com tratamentos já existentes.

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