A confiança empresarial melhorou no segundo trimestre e de forma quase transversal, apesar do choque energético, e a componente externa ajudou a compensar par...

A economia portuguesa terá crescido 0,4% em cadeia no segundo trimestre, estima o barómetro conjunto da CIP – Confederação Empresarial de Portugal e ISEG, o que corresponde a um avanço homólogo de 2%. Apesar do abrandamento em comparação com igual período do ano passado, a estagnação do primeiro trimestre foi ultrapassada, ainda que limitada pelo conflito no Médio Oriente.

A confirmar-se este resultado, a economia portuguesa regista uma aceleração em cadeia, passando de um trimestre com crescimento nulo para um avanço de 0,4%, mas abranda em termos homólogos, depois de ter crescido 2,2% nos primeiros três meses do ano.

A nota de imprensa destaca a resistência da economia nacional face às perturbações externas, sobretudo as associadas ao Golfo Pérsico, onde a guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irão levou a um choque energético de larga escala. Ainda assim, os indicadores de confiança sectoriais portugueses melhoraram em relação ao primeiro trimestre, “superando o nível médio registado” naquele período, à exceção da indústria transformadora.

Recorde-se que o primeiro trimestre foi marcado pelo comboio de tempestades que assolou o país e deixou avultados estragos, sobretudo para norte do Tejo, e que condicionou marcadamente a atividade económica.

Perante o cenário, Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, não deixa de mostrar alguma preocupação.

“A recuperação que parecia estar a desenhar-se em março e abril acabou por não se confirmar”, lamenta, destacando a situação do lado da energia. “Depois de diminuir significativamente, o preço do Brent voltou a disparar para níveis superiores a 90 dólares e o preço do gás natural na Europa chegou mesmo a atingir novos máximos desde o início da guerra”.

Como tal, o responsável da CIP relembra que “esta evolução se reflete no agravamento das pressões sobre as empresas, que voltam a ver os seus custos energéticos fortemente inflacionados”.

Um ponto positivo destacado pelo comunicado é a performance externa da economia, sobretudo neste contexto adverso. Esta prestação do sector exportador “terá conduzido a um crescimento mais equilibrado, compensando parcialmente o menor contributo da procura interna”, lê-se na nota.

Os dados mais recentes apontam para um crescimento de 5,1% nas vendas nacionais para o exterior em maio, isto quando comparado com igual período do ano passado. Esta leitura deu sequência ao salto homólogo de 15,4% registado em abril e permite algum otimismo quanto à procura externa no segundo trimestre.

Os números oficiais provisórios serão conhecidos esta quinta-feira, dia 30, quando o INE divulgar a estimativa rápida das contas nacionais trimestrais do segundo trimestre.

Código de Ética e Livro de Estilo