Mesmo sem nunca ter provado um pedaço de bolo, Cleusa Maria transformou uma loja de 20 m² na maior franquia de bolos do Brasil.
Mesmo sem nunca ter provado um pedaço de bolo, Cleusa Maria transformou uma loja de 20 m² na maior franquia de bolos do Brasil.
7:07 - atualizado às 13:34
Cleusa Maria, fundadora da Sodiê Doces. - Imagem: Montagem para fins editoriais, baseada em materiais divulgados na imprensa.
“Por que Deus me escolheu? É porque eu acho que, além de acreditar em Deus, eu acredito em mim.” É o que Cleusa Maria, aos 60 anos, afirma pensar sobre o fato de hoje comandar uma rede de confeitaria artesanal quase bilionária sem jamais ter concluído os estudos.
Para ela, o sucesso não pode ser explicado pela sorte. Nem a fortuna que construiu, nem a expansão da marca para mais de 370 lojas pelo país e duas no exterior.
“O que sobra em mim é o que falta em milhões de pessoas. É olhar para o futuro e acreditar”, disse ela em entrevista recente ao portal UOL.
Não é difícil encontrar uma loja da Sodiê nas ruas das maiores cidades o Brasil. O que talvez poucos saibam é que cada bolo exposto nas vitrines carrega o gosto do suor de uma ex-boia-fria com um objetivo simples: experimentar a vida que nunca teve.
Cleusa é uma entre dez filhos de uma família de Bandeirantes, no norte do Paraná.
Após a morte do pai, quando tinha 13 anos, ela precisou abandonar os estudos e trabalhar como boia-fria. Cortava cana-de-açúcar das 4 da manhã até a noite e voltava para casa para dividir um quarto com os outros nove irmãos.
“Para eles estava tudo bem, mas qualquer ser humano tem que querer o melhor. As pessoas e as gerações se conformam com a vida que têm.”
Algo dentro dela buscava mais. Ao saber que um tio precisava de ajuda em Osasco, na Grande São Paulo, prontamente se ofereceu para ir. Tinha 15 anos.
E foi quando descobriu um novo mundo, embora ainda difícil.
“Por que eu tenho que servir?” Esse foi o pensamento que a acompanhou durante os três anos em que trabalhou como empregada doméstica em São Paulo.
A vida a levou de volta ao interior. Aos 18 anos, conseguiu emprego em uma fábrica de alto-falantes em Salto. Anos mais tarde, já em outra empresa do setor, conheceu dona Rosa — esposa de seu chefe e que dominava a arte da confeitaria.
“Não, dona Rosa. Eu nem sei fazer bolo. Nunca tinha visto um bolo na vida. Nem bolo de aniversário eu tive”. Foi o que ela disse ter respondido quando lhe pediram que assumisse a produção dos bolos.
Mas o que não sabia, aprendia. E aprendeu.
A jornada dupla de trabalho, de dia como operária de fábrica e, à noite, como confeiteira, levou Cleusa a abrir sua primeira loja, de apenas 20 m², em Salto.
Com o dinheiro da rescisão trabalhista dela e do irmão, nasceu a Sensações Doces.
O diferencial? “Qualidade acima de tudo. Produto excepcional”, disse ela na entrevista ao UOL.
Segundo Cleusa, era possível chegar à loja com a família, sentar-se para comer uma fatia de bolo ou encomendar um produto pronto em apenas dez minutos.
Por cinco anos, ela comandou apenas uma unidade.
Franchising foi uma palavra que Cleusa ouviu pela primeira vez de um cliente paulistano, quando tinha 35 anos. Após seis meses de insistência, decidiu transformar o negócio em franquia, em 2006.




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