Obras sobre diversidade sexual, feminismo e processos de paz foram retiradas de um dos museus mais importantes do país sob o argumento de que o local não deveria ‘servir como instrumento de doutrinação política’. Decisão foi proferida nesta quarta, 28; dias antes o presidente Espriella disse que o ‘Estado tem o dever moral’ de ‘impedir que os espaços culturais sejam cooptados pelo socialcomunismo’
A Justiça da Colômbia determinou, nesta quarta-feira, 28, que o governo do presidente Abelardo de la Espriella devolva, no prazo de 48 horas, todas as obras que foram retiradas de um dos museus mais importantes do país.
Em meados de outubro, dezenas de obras que abordavam a diversidade sexual, o feminismo e os processos de paz foram retiradas do Museu Nacional por decisão do governo, sob o argumento de que o local não deveria “servir como instrumento de doutrinação política”.
A retirada das peças do museu, situado em Bogotá e que abriga grande parte da memória histórica, artística e cultural do país, desencadeou protestos na capital colombiana. Coletivos culturais e grupos políticos de oposição entraram com uma ação judicial para que as obras voltassem a ser exibidas.
Os autores da ação afirmaram que a decisão do governo “constitui censura” e “viola o direito à igualdade, bem como a proibição de discriminação com base na orientação sexual e na identidade de gênero”.
Segundo a sentença desta quarta, os itens foram retirados “sem uma justificativa curatorial fundamentada”, o que “ignorou a proteção constitucional das expressões culturais e restringiu, de forma injustificada, o direito dos autores da ação de conhecê-las e apreciá-las”.
“(É) uma vitória das vítimas, da diversidade, da paz e da memória histórica”, declarou no X o deputado de esquerda Gabriel Becerra; ele foi um dos autores do recurso. “Nenhum governo é dono da nossa história!”, acrescentou.
Antes da resolução, e enquanto uma decisão não era tomada, a justiça impôs medidas para proteger as peças retiradas.
A decisão também esclarece que não obriga a exibição permanente das obras, nem impede a alteração das exposições; contudo, busca garantir que as decisões a respeito delas obedeçam a critérios técnicos, e não apenas à discordância das autoridades em relação às ideias ou aos acontecimentos representados.
Cabe recurso da medida no prazo de três dias.
Sem mencionar diretamente o museu, De la Espriella afirmou, dias atrás, que o “Estado tem o dever moral” de “impedir que os espaços culturais sejam cooptados pelo socialcomunismo ateu e inimigo dos valores”. /AFP
Leia mais:Colômbia realiza ataque aéreo contra o maior grupo traficante de cocaína do país; há mortos e detido
EUA enviarão mais de 300 militares à Colômbia para treinamento antidrogas
EUA retiram vistos de dezenas de altos funcionários da Colômbia e da Bolívia
Mais lidas1.O Brasil precisa de uma nova direita
Eisenkot acusa Netanyahu de querer ‘deslegitimar’ as eleições em Israel
Mobilização de eleitores árabes cria impasse político em Israel
Brasileira está entre feridos em colisão envolvendo trens de alta velocidade na Espanha
Obama pode se candidatar de novo à presidência dos EUA no lugar de Biden?




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário