Abelardo de la Espriella terminou 1° turno na liderança e disputa segunda rodada com senador de ...

Abelardo de la Espriella terminou 1° turno na liderança e disputa segunda rodada com senador de esquerda apoiado pelo presidente Gustavo Petro. Eleição pode marcar mais uma guinada à direita na América Latina.A Colômbia volta às urnas neste domingo (21/06) para decidir em segundo turno se coloca os rumos do país nas mãos de Abelardo de la Espriella, ultradireitista novato na política e entusiasta do militarismo, ou de Iván Cepeda, senador de esquerda e filósofo apoiado pelo atual presidente, Gustavo Petro.

A eleição, da qual devem participar até 41 milhões de eleitores, terá impacto decisivo no processo de paz do país com grupos armados e nas relações atualmente tensas com os Estados Unidos.

A campanha eleitoral foi marcada por atentados a bomba no sul do país, ataques com drones explosivos e o assassinato de um importante candidato presidencial em Bogotá.

De la Espriella, que liderou o primeiro turno, em maio, com 43,7% dos votos, contra 40,9% de Cepeda, prometendo uma política dura de segurança pública, espera repetir o feito de outros presidentes eleitos recentemente sob a mesma bandeira na Bolívia, no Chile e no Equador.

O resultado do primeiro turno evidenciou o colapso total dos partidos de centro e da direita colombiana tradicional, que governaram o país durante grande parte dos últimos dois séculos.

De la Espriella se apresenta como um outsider político, apesar dos laços familiares próximos com o influente político conservador e ex-presidente Alvaro Uribe (2002-2010).

Cepeda, por sua vez, é apoiado principalmente por progressistas e os mais pobres, que se beneficiaram da redução da pobreza, do aumento dos salários e da queda do desemprego num país que ainda é um dos mais desiguais do mundo.

A eleição é vista também como um referendo sobre o primeiro governo de esquerda do país. "Ambos os lados [Cepeda e De la Espriella] têm seguidores muito fervorosos, mas há uma parte do país que vota por medo de um modelo que considera daninho", disse Julian Lopez, analista da Nalanda Analytica, à agência de notícias AFP.

Agendas distintas de segurança pública e economia

Os dois candidatos têm visões muito diferentes sobre como enfrentar o tráfico de cocaína e a pior onda de violência na Colômbia em uma década.

De la Espriella promete travar uma guerra contra grupos guerrilheiros envolvidos no tráfico de drogas que se recusaram a assinar um acordo de paz em 2016.

Apoiado abertamente pelo presidente americano Donald Trump, o candidato disse que, se eleito, buscará apoio dos Estados Unidos para uma campanha de 90 dias de bombardeios e pulverização de plantações de grupos armados que produzem coca, o principal ingrediente da cocaína.

Ele também quer eliminar o tribunal especial criado pelo acordo de paz com a guerrilha das Farc em 2016 para julgar os crimes mais graves da guerra, que a direita considera tendencioso contra os militares.

Cepeda, por sua vez, tem sido uma figura central na política de negociação de "paz total" com grupos armados, priorizando o diálogo em vez do enfrentamento violento.

Críticos afirmam que Petro (que é constitucionalmente impedido de concorrer e indicou Cepeda para sucedê-lo) permitiu que grupos armados ficassem mais ricos com o tráfico, ampliassem seu território e ganhassem poder.

Em Bogotá, alguns diplomatas estrangeiros expressaram temor de que um retorno a políticas de segurança mais duras possa provocar retaliações de criminosos, lançando o país de volta a uma espiral de violência.

Na economia, o vencedor herdará um país marcado pelo aumento da dívida pública, pela deterioração fiscal e pela desaceleração do investimento estrangeiro.

De la Espriella propõe um ajuste fiscal e a otimização do aparelho estatal, com a fusão de agências estatais e a redução dos gastos públicos. Também quer retomar a exploração e produção de petróleo, suspensas pelo atual governo, e impulsionar o gás natural, inclusive por fracking.

Cepeda, por sua vez, defende que o Estado assuma um "papel estratégico" para orientar e promover o desenvolvimento econômico da Colômbia. Ele promete uma "revolução econômica e social", com um "modelo econômico verdadeiramente produtivo, diversificado e socialmente inclusivo" para acabar com a pobreza, reduzir a desigualdade e gerar prosperidade. Também propõe um pacto fiscal "transparente e justo" para administrar a dívida.

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