Regras tributárias viraram o centro de uma queda de braço capaz de redesenhar a chegada dos EVs ao Brasil nos próximos meses.

Regras tributárias viraram o centro de uma queda de braço capaz de redesenhar a chegada dos EVs ao Brasil nos próximos meses.

A Anfavea levou a disputa diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao defender a manutenção do cronograma de recomposição do Imposto de Importação.A carta protocolada na Presidência da República na quinta-feira (19) foi assinada por Igor Calvet, presidente da entidade que representa as montadoras.

A associação pede que o governo rejeite novas exceções para operações CKD e SKD, nas quais veículos chegam desmontados ou semidesmontados para montagem local, segundo reportagem de Paula Gama do UOL.O alvo imediato é a tentativa da BYD de reverter a decisão que, em janeiro, encerrou cotas de importação com alíquota zero.A montadora chinesa também busca adiar a tarifa de 35% sobre veículos importados montados ou desmontados, prevista para entrar em vigor em julho.

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Procurada, a BYD não respondeu até o fechamento da reportagem, mas sustenta que o SKD é apenas uma etapa antes da produção integral.EnqueteA manutenção das regras de CKD/SKD no Brasil melhora o futuro dos EVs e a concorrênciaVote e veja o resultado em tempo real. Sim: evita vantagem para kits chineses e dá previsibilidade 0%

Parcial: pode haver transição, mas sem novas exceções 0%

Não: SKD ajuda a acelerar a produção e reduzir preços 0%

Tanto faz: o mercado ajusta independentemente do imposto 0%

Pioraria: mais importações pressionam preços e investimentos locais 0%125 votosA marca afirma que sua operação nacional deve avançar para fabricação completa a partir de julho, dentro do plano industrial previsto para o país.Nos bastidores, executivos do setor dizem que a Anfavea prepara um recado mais duro caso CKD e SKD continuem recebendo incentivos.A ameaça é que Chevrolet, Fiat, Volkswagen e outras marcas tradicionais passem a priorizar kits chineses em vez de novos projetos nacionais.Para a entidade, mudar as regras agora ameaça a segurança jurídica, a previsibilidade regulatória e o equilíbrio concorrencial entre fabricantes instaladas no Brasil.

A Anfavea também pede que não sejam criadas novas cotas nem ex-tarifários capazes de produzir efeito semelhante à postergação tarifária.

Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, endossou o argumento ao UOL Carros e defendeu regras iguais para todos os participantes.Segundo ele, o cronograma para CKD e SKD foi debatido, definido pelo governo federal e incorporado aos planos estratégicos da indústria.Possobom afirma que medidas excepcionais para casos específicos comprometem investimentos, afetam a competitividade e enfraquecem quem produz, desenvolve fornecedores e gera empregos.O executivo também diz que o país já acumula mais de 329 mil veículos importados estocados nos portos brasileiros.A avaliação nos bastidores é que uma nova exceção abriria caminho para Volkswagen, General Motors, Stellantis, Renault e outras ampliarem importações chinesas.

A própria Anfavea reconhece que kits desmontados podem ser etapa inicial de industrialização, desde que tragam fornecedores, tecnologia, componentes e mão de obra local.A associação lembra que os investimentos anunciados pela indústria automotiva brasileira somam R$ 140 bilhões até 2033, impulsionados pelo programa Mover.

Dados enviados ao governo apontam que as cotas criadas pela Resolução GECEX nº 774, de 30 de julho de 2025, geraram benefício de US$ 463 milhões (R$ 2,4 bilhões).A mesma correspondência calcula perda de arrecadação de US$ 102 milhões (R$ 525,5 milhões), atribuída à redução do imposto de importação no período.Para a Anfavea, as cotas anteriores distorceram a competição, favoreceram poucas empresas e incentivaram uma corrida de importações antes da alta tarifária.Montadoras chinesas trouxeram dezenas de milhares de veículos ao país, mobilizando navios cargueiros, pátios portuários e centros de distribuição para antecipar estoques.

A indústria tradicional afirma que esse volume pressiona preços, amplia a oferta de importados e altera a disputa sem expansão proporcional da produção local.A decisão final ficará com o governo federal e poderá definir não apenas a estratégia da BYD, mas o futuro dos EVs industrializados no Brasil.