Fantasias de até R$ 60 mil: comunidade furry busca formas de expressão no interior de SP Animais com características humanas fazem sucesso em animações e grandes produções. Na subcultura furry, esse é o ponto de partida para criar e interpretar personagens, c…

Por Aline Nascimento, g1 Campinas e Região

13/09/2026 03h00 Atualizado 14/09/2026

Integrantes da comunidade furry criam personagens antropomorfos para se expressar. Na região de Campinas (SP), integrantes do grupo disseram que as fantasias artesanais chegam a custar R$ 60 mil.

O movimento surgiu nos Estados Unidos entre 1970 e 1980. A subcultura chegou ao Brasil nos anos 2000 por meio de fóruns e blogs na internet.

Os personagens ajudam os integrantes a lidarem com a timidez e o estresse. Eles funcionam como alter egos para projetar características pessoais positivas.

Esse mercado gera renda para artistas com ilustrações e confecção de trajes. No Brasil, as fursuits, como são chamadas as fantasias, custam de R$ 1 mil a R$ 20 mil.

Entrevistados pelo g1 relataram suas experiências, que envolvem expressão, encontros públicos, e por vezes preconceito.

Fantasias de até R$ 60 mil: comunidade furry busca formas de expressão no interior de SP

Animais com características humanas fazem sucesso em animações e grandes produções. Na subcultura furry, esse é o ponto de partida para criar e interpretar personagens, chamados de fursonas, que permitem aos participantes se divertir e explorar diferentes formas de expressão.

🐺 Ser furry não significa acreditar que é um animal. Os integrantes dessa comunidade são pessoas que adotam e interpretam personagens antropomorfos — ou seja, que combinam características de animais e humanos. Na região de Campinas (SP), os furries trocam experiências em fóruns online e em encontros, chamados de meets.

Paola Susana Mendoza Champi e Paulo Pessôa de Andrade Neto, pesquisadores e integrantes da comunidade furry em Campinas (SP), explicaram ao g1 que uma fursona pode funcionar como uma espécie de alter ego e ajudar algumas pessoas a experimentar novas formas de expressão.

“É uma desculpa para você sair do seu personagem pessoa, que você tinha, da sua máscara social, e experimentar talvez outras máscaras sociais, outras personalidades que, até então, você não estava livre para explorar”, explicou Paola.

⚠️ Embora haja popularidade na ficção, quem faz parte da comunidade furry nem sempre é bem recebido na vida real. Furries ouvidos pelo g1 relataram situações de preconceito e estranhamento dentro da própria família, em grupos religiosos e na internet.

Afinal, o que é ser furry?

Furry, que vem do inglês "peludo", é o termo usado para descrever pessoas que interpretam personagens que cedem características humanas - como falar, andar em duas pernas ou expressar emoções - a animais, criaturas mitológicas e até alienígenas.

➡ O movimento surgiu nos Estados Unidos entre as décadas de 1970 e 1980, ligado a fãs de ficção científica e RPG. No Brasil, chegou principalmente pela internet nos anos 2000, por meio de fóruns online e blogs.

As fursonas podem fazer parte de alguma produção já existente ou serem criadas pelos próprios integrantes. As fantasias usadas para representá-los, conhecidas como fursuits, não são obrigatórias.

Algumas pessoas criam uma fursona e nunca usam uma fursuit. Para alguns, a personagem é uma criação artística e uma forma de diversão; para outros, pode ter um significado pessoal e ajudar a viver novas formas de expressão.

"No nosso caso [Paola e Paulo], a gente não tem essa caracterização, a gente tem só os personagens no qual a gente desenha. Eu acho que o nosso processo, como a gente observa os nossos personagens, elas acabam sendo mais como um alter ego", disse Paola.

🔍 Segundo os entrevistados pelo g1, a comunidade também se tornou um espaço de convivência e aceitação para diferentes grupos se expressarem e interagirem com menos pressão e julgamento, como pessoas LGBT+ e neurodivergentes.