Tenha pena do povo da Venezuela. Por quase 30 anos, eles lutaram contra uma governança aterrorizante sob os ex-líderes Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Então, em janeiro, o presidente Donald Trump lançou um ataque militar para remover Maduro, mas deixou sua vice, Delcy Rodríguez, no comando. Leia mais (06/26/2026 - 13h54)

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26.jun.2026 às 13h54

Tenha pena do povo da Venezuela. Por quase 30 anos, eles lutaram contra uma governança aterrorizante sob os ex-líderes Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Então, em janeiro, o presidente Donald Trump lançou um ataque militar para remover Maduro, mas deixou sua vice, Delcy Rodríguez, no comando.

Agora eles foram atingidos por dois terremotos, causando mais de 500 mortes, deixando milhares de feridos e infligindo danos que serão agravados pela situação econômica do país.

Enquanto a Venezuela lida com essa nova catástrofe devastadora, também precisa enfrentar a espinhosa questão da dívida soberana. Esta semana foi revelado que a pilha total de dívidas do país gira em torno de US$ 240 bilhões —muito maior do que se acreditava anteriormente.

Isso é assustador, considerando que sua economia experimentou "a queda mais profunda do PIB per capita vista em qualquer lugar do mundo desde 2013", segundo o Atlantic Council. No entanto, no mês passado, Rodríguez prometeu reestruturar a dívida até o final do ano usando a Centerview, uma firma de consultoria sediada em Nova York.

O destino desse acordo importa enormemente —não apenas para a Venezuela, mas para o mundo todo. Pois, após o movimento unilateral (para não dizer imperialista) de Trump sobre Caracas, a questão-chave agora é se uma abordagem semelhante será aplicada em relação à dívida.

Por qualquer padrão, o anúncio recente de Rodríguez foi incomum. Uma razão é que o mandato da Centerview foi supostamente viabilizado por um seguidor de Trump. Outra é que reestruturações normalmente levam anos, não meses, por causa de processos judiciais de fundos de hedge e da relutância da China em perdoar dívidas (ela tem sido a maior credora de países de baixa renda nos últimos anos).

No entanto, a maior surpresa é o processo. Normalmente, ele começa com uma avaliação econômica e um programa de políticas do FMI, seguido por negociações com credores oficiais. Porém, a Venezuela quer um acordo rápido com os detentores de títulos primeiro, sem coordenação formal do FMI, e depois um acordo em torno da dívida comercial e oficial.

Sem surpresa, alguns observadores detestam isso. "As autoridades venezuelanas podem estar priorizando investidores de mercado em detrimento do bem-estar de seus cidadãos", reclama Alejandro Werner, do Peterson Institute for International Economics.

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Enquanto isso, Brad Setser, economista do Council on Foreign Relations, admite que "um processo de reestruturação sem o FMI me deixa muito nervoso". Ele acha crucial ter uma análise neutra da dívida externa e interna da Venezuela para garantir que um acordo não traga apenas alívio de curto prazo, mas seja sustentável no longo prazo também.

No entanto, aqueles que apoiam a ideia de um acordo rápido insistem que precisam quebrar esse precedente. Isso se deve em parte à complexidade da dívida, que inclui cerca de US$ 60 bilhões em títulos pendentes do governo e da PDVSA, a estatal de petróleo (mais US$ 40 bilhões em juros); US$ 20 bilhões e US$ 6 bilhões em empréstimos chineses e russos, respectivamente; e vastas reivindicações históricas de empresas petrolíferas, credores comerciais e outras empresas cujos ativos foram expropriados.

Os defensores da reestruturação rápida também insistem que ela é necessária para impulsionar o crescimento e argumentam que os mecanismos de dívida existentes do FMI simplesmente não conseguem fazer isso. Isso apesar das reformas recentes, sob pressão de entidades como o Grupo dos Trinta, para criar o chamado Quadro Comum, que tenta trazer a China e os fundos de hedge para a mesa de negociações com mais transparência.

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