Voepass: entenda cadeia de responsabilidades que levou PF a indiciar 16 pessoas O relatório final da Polícia Federal sobre a queda do avião da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP) em 2024, aponta que o comandante Danilo Romano foi promovido sem ter a experiência mínima exigida pela própria companhia e acabou "coaptado" pela gestão para omitir panes em troca de uma ascensão rápida na carreira. Segundo depoimento do comandante Marcelo Mantovani, Romano chegou à Voepass
Por g1 Campinas e Região
08/08/2026 03h00 Atualizado 08/08/2026
O relatório final da PF sobre o acidente da Voepass aponta que o comandante Danilo Romano foi promovido sem a experiência mínima exigida pela companhia.
Pilotos relataram que a rápida ascensão de Romano facilitava pressões para omitir panes. Profissionais mais experientes teriam mais segurança para recusar voos.
O comandante Luiz Cláudio de Almeida relatou uma pane de motor com Romano, que resistiu a registrar a falha. Almeida pediu para não voar com ele.
A PF associou a falta de experiência de Romano no modelo ATR à forma como a tripulação reagiu ao acúmulo de gelo no voo 2283.
Em nota, a Voepass declarou que a tripulação era habilitada e que sempre seguiu protocolos de segurança. O acidente de 2024 vitimou 62 pessoas.
Voepass: entenda cadeia de responsabilidades que levou PF a indiciar 16 pessoas
O relatório final da Polícia Federal sobre a queda do avião da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP) em 2024, aponta que o comandante Danilo Romano foi promovido sem ter a experiência mínima exigida pela própria companhia e acabou "coaptado" pela gestão para omitir panes em troca de uma ascensão rápida na carreira.
Segundo depoimento do comandante Marcelo Mantovani, Romano chegou à Voepass depois de pilotar jatos Airbus e assumiu o comando de aeronaves ATR sem experiência anterior no modelo. A empresa exigia ao menos 1.000 horas de voo em ATR para a promoção.
A promoção foi autorizada durante a gestão de Rafael Gimenez Rodrigues na chefia de treinamento. Outro piloto ouvido pela PF, Luiz Cláudio de Almeida, afirmou que o próprio Romano dizia ter sido promovido rapidamente por causa de uma "relação de amizade e favores na chefia".
Da denúncia ao julgamento: os próximos passos após PF indiciar 16 por queda de avião da VoepassQuem são os indiciados pelo desastre aéreoInspetor da Anac presenciou falha em sistema de degelo em voo 11 meses antes da quedaFamílias de vítimas planejam ação coletiva
Para a PF, a rápida ascensão deixou Romano mais suscetível às pressões internas para não registrar problemas técnicos. O piloto Paulo Eduardo Pereira dos Santos relatou que comandantes recém-promovidos costumavam ficar "pianinhos" diante da chefia, enquanto profissionais mais experientes tinham mais segurança para recusar voos e exigir o registro de panes.
"A coaptação do comandante ROMANO aos interesses escusos da gestão, em não reportar falhas, sob a vantagem de uma promoção rápida, é uma das causas da produção do perigo concreto, visto que o referido tripulante não registrava as falhas no sistema de-ice. Também não foi capaz de impedir o resultado agravador (sinistro aéreo) ante a sua inexperiência com aquele tipo de aeronave, como descrevem os depoimentos coletados", descreve o laudo da PF.
Danilo Santos Romano, comandante do avião da VoePass que caiu em Vinhedo (SP) — Foto: Reprodução
Pilotos rigorosos eram deixados de lado
O comandante Luiz Cláudio de Almeida contou à PF que foi contratado em 2019 com experiência em ATR, mas acabou mantido como copiloto.
Segundo ele, colegas ligados à chefia diziam que pilotos mais rigorosos não eram promovidos porque poderiam "parar aviões" ao seguir as regras técnicas à risca, o que afetaria a operação da companhia.
Almeida também afirmou ter presenciado pedidos para que problemas técnicos não fossem registrados no livro de bordo, evitando que aeronaves fossem retiradas de operação.
Em um dos voos com Danilo Romano, Almeida relatou um problema grave no motor. Segundo ele, Romano inicialmente não reconheceu a pane e resistiu a comunicá-la. Almeida disse que ameaçou desembarcar caso a falha não fosse reportada.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário