Nuno de Sá, cofundador e diretor artístico da Lisbon Film Orchestra — a única cá dedicada a bandas sonoras - traduziu e dirige “Come from away”, um mu...

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E o feedback geral que nós temos recebido mais comum é: eu saio daqui cheio, eu saio daqui feliz, saio daqui de coração. Foi muito intenso, é muito bonito, mas eu saio daqui com esperança de que a humanidade realmente tem algo de bom para dar ao outro.

E Nuno, não é sempre o sorriso que consegues com aquela musical. Eu comovi-me imenso nalgumas partes, ri imenso noutras partes. Assinalámos há dias os 25 anos dos atentados do 11 de setembro. Na altura, o espaço aéreo dos Estados Unidos foi encerrado. O que aconteceu a todos os aviões que se destinavam ao país alvo dos ataques terroristas? Esta é a premissa de um musical diferente. Pouca gente sabe que nos dias seguintes aos atentados de 11 de setembro, 38 aviões e cerca de 7 mil passageiros foram desviados para Gander, uma pequena localidade da Terra Nova, no Canadá. O musical "Come From Away", em cena até domingo no Capitólio, conta o que aconteceu a seguir. Durante cinco dias, os moradores abriram as portas, ofereceram cama, comida e apoio a estranhos até que pudessem seguir viagem. Comigo tenho Nuno de Sá, cofundador, diretor artístico e maestro da Lisbon Film Orchestra, a única orquestra portuguesa dedicada a bandas sonoras de filmes, que traduziu e dirige este musical sobre estranhos que se tornam família. De roqueiro a maestro, vamos conhecer melhor este homem que construiu o seu percurso entre a música, o ensino, a direção artística e o empreendedorismo cultural, acreditando mesmo que a música, de facto, pode nos salvar. Olá, Nuno, e bem-hajas por teres aceitado este meu convite. Bem-vindo à Rádio Observador.

Muito obrigado pelo convite.

É um grande prazer. Obrigado, eu é que agradeço teres vindo. É bom estar a falar contigo. Tu que és um lisboeta criado em Odivelas. Aliás, como o teu sócio também, que fundou esta LFO, Lisbon Film Orchestra. É muito engraçado porque tu até aos 14 anos não tinhas assim um grande percurso na música, era talvez meio apagado. Até que há um primo teu que te dá um presente maravilhoso. Ou emprestou-te o presente.

Sim, é verdade. Eu até aos 14 anos andava meio adormecido para a vida. Ou seja, como criança, era uma criança que tinha poucos interesses, gostava de dormir, gostava de comer, gostava de ver televisão, mas nada me entusiasmava muito. Até que essa mudança radical na minha vida, que foi quando um primo meu me emprestou uma guitarra para eu poder simplesmente tocar.

Uma guitarra elétrica?

Uma guitarra acústica.

E foi a partir daí que passei de não querer fazer nada a estar sempre agarrado à guitarra, sempre a tocar, sempre à procura de coisas novas para aprender. E foi realmente uma mudança. Parece que houve aí um acordar para a música, um acordar para a vida, que foi realmente muito interessante.

Tudo mudou. Há o Nuno antes da guitarra e o Nuno depois.

Exatamente. Há uma criança antes da música e um jovem que de repente descobre que se calhar pode ter alguma capacidade. E é interessante pensar nisso, que eu como criança com 10 anos na disciplina de Educação Musical, eu era um aluno mediano, baixo. Não gostava daquilo, aquilo não me dizia absolutamente nada.

Era a flauta e aquelas coisas.

Exatamente. Aquilo não me interessava minimamente. Mas é engraçado. Há uma frase que eu gosto muito, que é: a laranjeira dá laranjas quando está preparada. E eu acho que naquele momento eu estava mais preparado do que antes.

Tu tens muito bom ouvido. Tocavas coisas de ouvido, tens ouvido perfeito, por exemplo.

Não, não tenho ouvido absoluto, não tenho esse dom. E às vezes isso pode ser difícil.

Pois, há pouco tempo vi um filme que foi um drama para o afinador de pianos, concretamente.

Exatamente, porque para tocar com outras pessoas, ou seja, quando aquilo não está realmente perfeito, aquilo faz muita confusão a quem tem o ouvido absoluto.

Mas tu tens bom ouvido. Tocavas.

Sim, tocava, tirava as coisas de ouvido. Tirar aquelas músicas, porque a minha paixão era o rock.

Tu começaste como roqueiro, engraçado. Os Metallica e este tipo de som. Mas chegaste a ter uma banda ou não? Banda de garagem.