Para isso, a estratégia combina o crescimento do número de assinantes do plano com anúncios, a entrada de mais anunciantes e o aumento dos investimentos dos clientes que já estão na plataforma.

A Netflix espera encerrar 2026 com cerca de US$ 3 bilhões em receita publicitária, o dobro do que registrou no ano anterior. A estimativa de receita total da companhia para o ano é de cerca de até US$ 51,4 bilhões.

Globalmente, o plano com anúncios já alcança mais de 250 milhões de espectadores ativos mensais, considerando pessoas únicas, e não contas ou perfis. Mais de 65% das novas assinaturas da Netflix são feitas nessa modalidade.

No Brasil, são mais de 35 milhões de espectadores ativos mensais, dos quais 52% assistem à plataforma todos os dias. Mais de 65% dos novos assinantes brasileiros também optam pelo plano com anúncios.

Do lado dos anunciantes, a companhia trabalha atualmente com mais de 4 mil marcas no mundo e espera dobrar ou triplicar essa base nos próximos anos.

Para Reinhard, ter a tecnologia dentro de casa mudou a velocidade de desenvolvimento do negócio. “É muito mais fácil inovar agora”, afirma. Segundo ela, a Netflix passou a ter maior controle sobre seus produtos e pode testar e aprimorar formatos de maneira contínua.

A integração de marcas às produções já faz parte da estratégia da Netflix. Um exemplo citado por Reinhard é a parceria da Stella Artois com “The Gentlemen” — série conhecida no Brasil como “Magnatas do Crime” —, em uma ação integrada à produção. Para a executiva, o desafio é preservar a autenticidade dessas iniciativas. “É importante que a integração não pareça forçada”, diz. Ela afirma que a associação com grandes títulos pode dar às marcas “uma sensação de que elas fazem parte da conversa cultural”.

A Netflix também começa a explorar novos espaços publicitários dentro de seu ecossistema. Entre eles, estão veiculação ainda em testes de anúncios quando se abre a plataforma e o Clips, um “feed” de vídeos verticais no celular lançado recentemente, no qual os usuários podem descobrir filmes, séries e eventos ao vivo. A companhia prevê a entrada de anúncios no “feed” a partir do próximo ano. O Tudum, site voltado aos fãs da Netflix, que recebe mais de 24 milhões de visualizações mensais, também está sendo avaliado para novos formatos comerciais.

Diversidade no mercado brasileiro

O Brasil ocupa posição relevante nessa estratégia. A executiva destaca a diversidade de hábitos de consumo no país, que combina produções locais com anime, conteúdo coreano e títulos internacionais. Para ela, esse comportamento cria oportunidades para conectar anunciantes a diferentes interesses e comunidades. “O público é muito apaixonado e exigente”, diz Reinhard. “Às vezes, os profissionais de marketing se esquecem da importância do fã clube.”

“Para a Netflix, começar a vender anúncios foi como empreender em um novo negócio”, afirma. O desafio, segundo ela, foi criar uma operação de vendas, contratar profissionais e, ao mesmo tempo, ensinar o mercado sobre a proposta da plataforma para os anunciantes. Agora, a meta é ampliar a importância da área.