Rússia lança bombardeio intenso, mata 21 e destrói centros logísticos na Ucrânia Depois de pisar em uma mina terrestre, Oleg Shikin foi levado ao hospital com estilhaços no crânio, queimaduras no rosto e na mão e ferimentos no olho esquerdo, no peito, nos braços e nas pernas. Parte de seu crânio teve de ser removida cirurgicamente. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Shikin havia se alistado para, em troca, ser libertado de uma colônia penal russ

06/08/2026 07h14 Atualizado 06/08/2026

Rússia lança bombardeio intenso, mata 21 e destrói centros logísticos na Ucrânia

Depois de pisar em uma mina terrestre, Oleg Shikin foi levado ao hospital com estilhaços no crânio, queimaduras no rosto e na mão e ferimentos no olho esquerdo, no peito, nos braços e nas pernas. Parte de seu crânio teve de ser removida cirurgicamente.

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Shikin havia se alistado para, em troca, ser libertado de uma colônia penal russa. Nos últimos quatro anos, enquanto a Rússia busca recrutar mais soldados para a guerra contra a Ucrânia, dezenas de milhares de presos fizeram a mesma escolha.

Após o tratamento, Shikin foi encaminhado para uma avaliação médica militar, que determinaria se ele estava "inapto para o serviço militar", condição que permite que soldados sejam dispensados durante a guerra.

A recomendação foi que ele passasse por uma nova avaliação depois de um mês de licença médica. Em vez disso, foi enviado de volta à linha de frente, com uma placa de titânio na cabeça.

Documentos judiciais apontam que soldados feridos eram enviados de volta ao combate sem as avaliações médicas previstas em lei. — Foto: Nurphoto/Getty Images via BBC

O caso de Shikin é um entre dezenas revelados pela BBC News Rússia. Documentos judiciais disponíveis ao público mostram acusações recorrentes de que comandantes enviaram soldados feridos de volta ao combate, em vez de encaminhá-los às avaliações médicas exigidas por lei.

Segundo a lei russa sobre o Dever e o Serviço Militar, duas categorias de aptidão, "inapto" e "parcialmente apto", podem levar à dispensa antecipada. Elas devem ser determinadas por uma junta médica militar composta por clínico-geral, cirurgião, neurologista, psiquiatra, oftalmologista, otorrinolaringologista, dentista e, quando necessário, outros especialistas.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, visita soldados feridos na guerra da Ucrânia em um hospital militar de Moscou, em outubro de 2025. — Foto: AFP/Getty Images via BBC

Como não havia sido avaliado por uma junta médica completa, Shikin alegou ao Tribunal Militar da Guarnição de Nijni Novgorod que havia sido tratado de forma ilegal. O tribunal aparentemente concordou e ordenou que seu comandante garantisse a realização da avaliação.

Mas é aqui que o rastro documental termina. Não há mais nenhuma outra menção a Shikin na internet — e não se sabe se ele chegou a passar por uma nova avaliação nem sequer se está vivo ou morto.

Muitos ex-detentos ficam presos às Forças Armadas, o que permite que sejam "cinicamente descartados" na guerra, segundo Sergei Krivenko, diretor do grupo de direitos humanos Citizen Army Law.

Ex-detentos não são os únicos que contestam as avaliações médicas. — Foto: Getty Images via BBC

O Tribunal Militar do Distrito Sul, por exemplo, decidiu que os antecedentes criminais de Rustam Farzaliyev o impediam de deixar as Forças Armadas, apesar de ele ter sido considerado "parcialmente apto", devido a uma "doença socialmente relevante".

O ex-detento Vitaly Kamenyuk, por sua vez, afirmou que havia sido considerado apto para o serviço com base apenas no parecer de um neurologista e que lhe haviam negado uma avaliação mais formal, embora seu atestado médico original reconhecesse uma "lesão grave".

Voluntários comuns que perderam dedos ou têm condições como o vírus da imunodeficiência humana (HIV), tuberculose, câncer ou transtornos mentais foram dispensados por serem considerados "parcialmente aptos".

Mas os ex-detentos não são os únicos a reclamar das avaliações médicas.

Em 2022, quando centenas de milhares de reservistas foram convocados, o Ministério da Defesa da Federação Russa emitiu uma diretriz de guerra segundo a qual eles deveriam passar por um exame médico ao chegar às unidades militares, "para descartar doenças infecciosas, assim como ferimentos e enfermidades que impedissem a mobilização". Somente se o exame identificasse "inaptidão" eles seriam avaliados por uma junta médica completa.