Com recursos próprios, De la Espriella defende sua independência e afirma ter financiado sua campanha. Seus vínculos e atividades empresariais estão sendo questionados.

Abelardo de la Espriella, que ganhou a eleição na Colômbia em apuração preliminar no domingo (21/06), admite ser um sibarita, pessoa que aprecia luxos e prazeres da vida em geral.

Um dândi com sotaque caribenho que gosta da boa gastronomia, passa temporadas em Florença e Miami, vende vinhos da Toscana e gravatas de seda italianas, usa relógios de luxo e dirige carros de potência extravagante.

"Eu o conheço e ele não vive de forma modesta; tem um padrão de vida que exige muitos recursos", descreve o jornalista Ángel Becassino, que investigou a biografia do presidente eleito da Colômbia — que aguarda a contagem oficial dos votos.

A fortuna de De la Espriella, um empresário conservador de linha dura alinhado à direita de Donald Trump, Nayib Bukele e Javier Milei nas Américas, foi um tema central de sua campanha.

Advogado, ele se apresenta como um empresário bem-sucedido que financiou sua campanha presidencial com seus lucros e empréstimos.

Foi com base nisso que defendeu sua condição de outsider, o que, segundo ele, lhe permitirá governar com independência em relação aos poderes tradicionais do país.

Mas sua fortuna também é alvo de questionamentos.

Críticos e adversários políticos debatem as ligações de De la Espriella com clientes associados ao paramilitarismo e a casos de corrupção.

Parlamentares democratas dos Estados Unidos e investigações de veículos como La Silla Vacía também levantam dúvidas sobre a transparência de suas atividades empresariais.

A origem de seu dinheiro está atraindo atenção depois de sua vitória no segundo turno contra Iván Cepeda, que buscava dar continuidade ao caminho progressista do atual presidente, Gustavo Petro.

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De la Espriella tem três nacionalidades: colombiana, americana e italiana.

Nasceu em Bogotá, mas foi criado em Montería, capital do departamento de Córdoba, na região caribenha da Colômbia.

"Ele vem de uma família de certo status, de classe média um pouco mais alta, de um ambiente com recursos e alguma propriedade rural", diz Becassino.

Desde pequeno, De la Espriella demonstrou aptidão para os negócios.

Ele alugava seu videogame para outras crianças e vendia mantimentos no bairro, contou.

Mais tarde, quando se mudou para Bogotá para estudar direito na Universidade Sergio Arboleda, ampliou seu mercado.

Gerardo Reyes, jornalista colombiano que também investigou parte da trajetória de De la Espriella, conta que "foi ali que ele fez negócios, vendendo roupas, uísque e esmeraldas nos Estados Unidos".

Aqueles foram os primeiros passos de uma carreira que levou à fundação de dezenas de empresas, entre elas um escritório de advocacia controverso, de grande visibilidade e prolífico, que impulsionou sua renda e sua marca pessoal.